Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente da Câmara após um confronto direto com os partidos que integram o Centrão (PP, PR, PSD, PTB, PRB e PSC). O bloco saiu derrotado mas continua em articulação intensa para eleger o sucessor de Maia em fevereiro de 2017.

O PSDB apoiou a eleição do deputado do DEM em troca de apoio para um nome do partido no próximo ano. Mas esse entendimento corre risco porque há quem queira encontrar uma brecha legal para que Rodrigo Maia possa concorrer a um novo mandato.

O entendimento atual é que não pode haver reeleição em uma mesma legislatura. Porém, há quem queira forçar a interpretação de que como o presidente da Casa foi eleito apenas completar o mandato de outro (no caso, do ex-deputado Eduardo Cunha), poderia concorrer novamente.

Rodrigo Maia é visto como o grande articulador da votação da PEC dos Gastos. André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara, por exemplo, sequer esteve em Brasília na sexta-feira (07/10) anterior à votação para garantir o quórum mínimo de 51 deputados, o que permitiu a votação da PEC na segunda-feira (10). O governo teve que mobilizar sua base e votar um requerimento de quebra de interstício para viabilizar a votação.

Foi ainda de Rodrigo Maia a sugestão de o presidente Michel Temer receber os deputados da base para um jantar em Brasília no domingo. O encontro foi fundamental para garantir quórum alto em Brasília numa segunda que era antevéspera de feriado.

O Centrão está preocupado com duas questões. Em primeiro lugar, ser novamente derrotado na eleição para a presidência da Câmara em fevereiro. Seja para Rodrigo Maia, seja para outro candidato apoiado por ele. Caso Rodrigo Maia não tenha respaldo para concorrer a um novo mandato, o temor do Centrão é perder a liderança do governo para ele.

Por essa razão, a agenda defendida por Maia, como o projeto da repatriação, encontrou dificuldades para avançar. Por trás da resistência de seus adversários estava o propósito de demostrar que a força do presidente da Câmara não é tão grande assim e sua capacidade de articulação nem sempre é eficiente.

No governo, teme-se que essa disputa prejudique, de alguma forma, o calendário das reformas e de projetos da pauta prioritária do Planalto. Mas a tendência é que o presidente Michel Temer consiga conduzir bem o processo, evitando maiores tensões entre os aliados.

De qualquer forma, a PEC dos Gastos deve ser concluída na Câmara até o fim de outubro. A Reforma da Previdência deve chegar ao plenário da Câmara somente em março.

A disputa pela presidência da Câmara deve se acirrar entre o fim de novembro e dezembro, mas só acontece em fevereiro. Ou seja, o impacto dessa disputa deve ser limitado.