Foi uma eleição de encomenda para derrotar o PT, que perdeu 374 prefeituras, quase 60% de seu antigo patrimônio municipal, entre elas a capital de São Paulo e o ABCD. Em todos os municípios onde os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff fizeram campanha, os candidatos perderam votos e o pleito. Em São Bernardo, o filho adotivo de Lula, Marcos Cláudio, não conseguiu se reeleger vereador.

Por causa disso, o pleito de ontem conquistou o título de “o mais nacionalizado” desde a redemocratização, quando o sentimento anti-PT varreu o país e rebaixou o partido do mapa eleitoral em nível municipal. No extreme do espectro político, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), dono de quatro mandatos de governador, . O maior vencedor destas eleições. E de forma acachapante: João Doria (PSDB), seu candidato só não venceu em duas das 58 zonas eleitorais e Fernando Haddad (PT) não levou nenhuma.

São Paulo x Rio de Janeiro

Enquanto São Paulo tucanou ainda mais, o Rio de Janeiro rachou. Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL), dois candidatos com forte antagonismo ideológico, foram para o primeiro turno com 46% (o primeiro atingiu 27%; e o segundo, 18%). Crivella é identificado com a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, e Freixo com o “Fora Temer”, a bandeira da esquerda mais radical.

Isso significa que metade dos eleitores não está representada pela dupla que vai disputar o segundo turno, fazendo com que a competição se transforme numa guerra pela menor rejeição. O universo de votos de Crivella gira em torno de 30% e o de Freixo na faixa de 15%. Quem conseguir a menor reprovação, ganha.

Os candidatos derrotados, à direita de Freixo e longe de Crivella, somam 47,73%. Pedro Paulo (PMDB), 16%; Fl.vio Bolsonaro (PSC), 14%; Índio da Costa (DEM), 8%; e Osório (PSDB), 8%. O campeão, no entanto, é o “não voto” ou omissão, a soma de abstenção, brancos e nulos, ou seja, os cariocas anti-políticos, que chegou a 42,54%. Os 25% de Crivella valem, de fato, 15% (25% de 60%).