O Blog da Política Brasileira conversou com o senador José Aníbal (PSDB-SP), vice-líder do PSDB no Senado. Veja as perguntas e respostas:

Com o desfecho do impeachment, emergirá com mais força uma pauta legislativa. Que matérias o senhor destaca como prioritárias?
Na realidade, essa pauta já está colocada: teto de gastos, reforma da Previdência, reformas microeconômicas e, se for possível, avançar no regramento eleitoral, principalmente na cláusula de barreira e no fim das coligações eleitorais. Essa é uma pauta que deve ser negociada ainda este ano. Este governo que está saindo depredou o país, as contas públicas. É preciso fazer rapidamente um trabalho de recuperação. Temos que criar credibilidade. E credibilidade é mostrar que o governo vai fazer o acerto das contas públicas. Tem que parar de votar aumentos salariais para quem quer que seja.

Há consenso de que não devem ser votados novos reajustes salariais para servidores públicos?
Não, infelizmente ainda não há. Mas estamos trabalhando firme para que isso não aconteça. Estamos dialogando, mostrando que é uma condição para que possamos sair da crise. É um acréscimo de bilhões na despesa pública. Eu tenho conversado com o presidente Michel Temer e ele tem essa convicção de que não devemos continuar votando reajustes. É preciso dar um tempo.

O Senado analisa a exploração de jogos de azar e o aumento da tributação sobre heranças. Qual sua opinião sobre tais propostas?
Sobre jogos de azar há divergências. Sou totalmente contra. Agora, sobre a tributação de heranças, os americanos dizem que o americano que morre rico é um estúpido. Eles doam para entidades, fundações de pesquisas etc. Essa não é a nossa tradição. Nossa tradição é a ibérica, patrimonialista. Então penso que tem que ter imposto sobre herança para que haja maior igualdade neste país.