Após aprovar uma série de reajustes salariais para diversas categorias do serviço público, o governo do presidente interino Michel Temer deve passar por novo desgaste ao conceder aumentos a outras carreiras. Embora se trate de negociações iniciadas durante a gestão Dilma Rousseff e haja previsão no Orçamento para tal, Temer tem sido criticado por cumprir os acordos e prosseguir as tratativas com outras carreiras num momento em que a pauta dominante é a redução do gasto público.

Nas últimas semanas, o Executivo encaminhou ao Congresso novos projetos que beneficiam servidores de Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Peritos Agrários, DNIT, além de analistas de políticas sociais. Os reajustes variam entre 21,3% e 37%, escalonados em até quatro anos.

Além desses setores, o governo já concluiu negociações referentes à carreira de auditor fiscal do trabalho e à de analistas de infraestrutura, mas os projetos ainda não foram encaminhados. Os servidores dessas áreas vêm pressionando pelo envio das propostas. Ainda há outro grupo em fase de negociação, agora no Ministério das Relações Exteriores: os diplomatas e os oficiais de chancelaria.

No entanto, o governo já sinalizou que não deve ir além das correções salariais. A reestruturação de carreiras e a criação de novos cargos são assuntos proibidos no Palácio do Planalto. Na primeira leva de projetos aprovados, Temer vetou a criação de mais de 14 mil cargos. Essa diretriz está sendo levada a cabo nas negociações. Nos bastidores, cogita-se que após o desfecho do processo de impeachment sejam encerradas as tratativas com o funcionalismo.