A revelação das gravações sigilosas feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – e delator da Lava-Jato – de diálogos com a cúpula do PMDB foi o assunto dominante na mídia nos últimos dez dias. A repercussão foi desgastante para o governo, provocando a demissão de dois ministros (Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência). Por que a delação de Machado é tão tóxica?

Confira neste post as principais implicações das conversas do ex-presidente da Transpetro:

Quem participou das conversas?

Fabiano Silveira, ex-ministro da Transparência, Fiscalização e Controle: “Tá entregando a sua versão para os caras, entendeu? Vão querer rebater os detalhes.”
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro: “Não há quem resista à Odebrecht”
José Sarney, ex-senador e ex-presidente do Senado: “A ditadura da Justiça está implantada, é a pior de todas”
Renan Calheiros, presidente do Senado: “Deus me livre, Delcídio é o mais perigoso do mundo”
Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento: “Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto”

 

Foram também citados nas conversas: Gabriel Chalita, Dilma Rousseff, Lula, entre outros.

Como fica a situação de cada um dos participantes?

O ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, já está fora do governo. Para Renan e Sarney, a situação é complicada, uma vez que suas conversas com Sérgio Machado traduzem preocupações e tentativas de manobras para barrar as investigações da Lava-Jato. Fabiano Silveira pediu demissão, complicando a situação do governo, com dois ministros demitidos em três semanas.

A Lava-Jato corre riscos?

As tentativas de barrar a operação contribuíram para fortalecê-la. O conteúdo das gravações que se tornou público reforçam as expectativas de uma opinião pública crítica, desejosa de mudanças na política.

As conversas complicam o governo atual?

Num cenário em que o combate à corrupção torna-se um dos grandes problemas a serem combatidos no país, Michel Temer enfrenta uma dura realidade, com dois ministros afastados em três semanas de governo por suspeita de envolvimento em corrupção. O presidente em exercício precisa achar um jeito de manter suspeitos de envolvimento longe de cargos de chefia, mas é refém de acordos partidários.

Resta a Temer encontrar formas de compensação, promovendo mudanças que beneficiem a economia, e assim balancear as críticas que vem sofrendo, para não pôr em risco seu mandato.

A população está lembrando do PT?

Mesmo que a cúpula do PMDB seja protagonista nas gravações de Sérgio Machado, sobram ainda acusações para o PT. Dilma, pela primeira vez, pode perder sua aura de honestidade, numa provável delação premiada da Odebrecht, citada por Sarney e Sérgio Machado em conversa. Pesam ainda contra a presidente afastada eventos de sua agenda oficial, mostrando que ela recebeu Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, no Palácio da Alvorada.

Lula, Dilma e PT experimentam uma fase de desgastes que não deverá acabar tão cedo. No momento, as chances de uma candidatura de Lula à Presidência em 2018 parecem pequenas.

Para saber mais, acesse os links:

A gravação que resultou a saída do ex-ministro Romero Jucá:

http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/05/em-gravacao-juca-sugere-pacto-para-deter-lava-jato-diz-jornal.html

A conversa entre Renan Calheiros e Fabiano Silveira que derrubou mais um dos ministros do governo Temer:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1776200-ministro-da-transparencia-de-temer-criticava-lava-jato-mostra-gravacao.shtml

Conversa entre Sarney e Sérgio Machado sugere envolvimento direto de Dilma com a Odebrecht:

‘Vão pegar a Dilma’, prevê Sarney em diálogo sobre delação de Odebrecht