O PT, partidos aliados e movimentos sociais alinhados com o governo realizarão, amanhã (31), manifestações em todo o país. A mobilização foi convocada sob o seguinte slogan: “dia de defender a democracia”.

Por que o PT escolheu a data de 31 de março? A resposta é simples. Amanhã o golpe militar de 1964 completa 52 anos. Ou seja, os petistas querem fazer uma relação do evento político de 64 com o atual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff para reafirmar perante a militância que o país “está vivendo um golpe”.

Além do PT, aliados e movimentos sociais, Dilma Rousseff incorporou a tese do suposto golpe em seus discursos oficiais. Isso vem ocorrendo desde que foram reveladas conversas telefônicas dela com o ex-presidente Lula.

Hoje, durante um evento de entrega de moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”, Dilma, mais uma vez, partiu para o ataque. A presidente afirmou que, para haver impeachment, é necessário a ocorrência de crime de responsabilidade, o que na sua avaliação não está configurado. Dilma foi além: declarou que impeachment sem crise de responsabilidade é golpe.

A estratégia de tentar propagar a tese do suposto golpe também envolve críticas ao juiz Sérgio Moro, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Nos bastidores comenta-se que o PT passará a dizer que Cunha e Temer atuam em parceria. E num eventual governo Temer, Cunha, que é réu na Operação Lava-Jato, seria um dos beneficiados diretos. Apesar da tentativa, é pouco provável que esse discurso seja “comprado” pela opinião pública.

Por que Dilma incomporou esse discurso do PT?

A decisão da presidente Dilma Rousseff em incorporar o discurso do PT é reflexo do isolamento que ela vive. Depois de perder o apoio do PMDB, a tendência é que Dilma tenha apenas o respaldo do PT, PCdoB, outros pequenos partidos e movimentos sociais.

Ou seja, o cenário é muito desfavorável. Quanto ao discurso do golpe, também é pouco provável que ele “cole” na opinião pública. Caso o Palácio do Planalto consiga barrar o impeachment, ela dependerá muito mais de uma reformulação do governo, através de um novo pacto político, via liberação de cargos e verbas, seguindo o modelo da política tradicional, que do convencimento de que o PT estaria sofrendo o golpe.

Ao lançar mão do argumento do suposto golpe, o PT parece estar se preparando também para o período pós-Dilma. Caso a presidente sofra o impeachment, os petistas utilizarão o argumento do golpe como forma de manter sua militância mobilizada em torno de uma oposição ao eventual governo Temer, que tende a ser sistemática.