Por aclamação, o PMDB oficializou o desembarque do governo Dilma Rousseff num ato público de quatro minutos. O partido também determinou que todos os seus representantes no Executivo entreguem os cargos. O ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC) Moreira Franco afirmou que a direção do partido deve esperar cerca de 12 dias para que os peemedebistas entreguem seus cargos.

Os mais importantes são os seis ministros (sete até ontem, quando Henrique Eduardo Alves, do Turismo, demitiu-se), ausentes da reunião, a exemplo do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do líder na Câmara, Leonardo Picciani.

A decisão unificada do PMDB só foi possível após novo entendimento entre o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, assim como havia ocorrido no acordo que reelegeu recentemente Temer presidente nacional do partido.

A decisão de deixar o governo, tomada por aclamação, também foi fruto do mesmo entendimento da cúpula, sinal de que, se o processo de impeachment chegar ao Senado, a presidente não contará com o apoio de Renan.

PMDB saiu do governo. O que acontece agora?

Além de fragilizar ainda mais a presidente Dilma, o desembarque do PMDB abre espaço para que outros partidos da base façam o mesmo e deflagra nos bastidores o “Plano Temer”, senha da articulação entre PMDB, PSDB e outras siglas para que, a partir do impeachment de Dilma, Michel Temer assuma o Palácio do Planalto.

Não bastasse o desembarque do PMDB, o Planalto teve ontem (28) outra notícia negativa. O PSD, que ocupa o ministério das Cidades com Gilberto Kassab, liberou sua bancada federal para votar o impeachment como quiser.

Estima-se que 65% dos 31 parlamentares do PSD sejam favoráveis ao afastamento de Dilma da presidência. Tal perspectiva frustra os planos da ministra Kátia Abreu, da Agricultura, de sair PMDB e voltar à legenda de Kassab.

Nesta quarta-feira, o PP, que comanda o Ministério da Integração Nacional, também poderá liberar seus deputados. Segundo o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), com o desembarque do PMDB ficará difícil segurar a bancada progressista no apoio a Dilma. Além do PP, outro partido importante da base que inclina-se em favor do impeachment é o PR.

Caso PMDB, PP, PR, PSD, PRB, PTB e REDE votem 100% favoráveis ao impeachment, a oposição (PSDB, DEM, PSB, SD, PSC e PPS), que contabiliza hoje 143 deputados, agregaria mais 234. Com isso, os defensores do afastamento de Dilma teriam 377, 35 votos mais do que os 342 necessários para abreviar o mandato da presidente. Hoje, já estão garantidos 300.

TABELA IMPEACHMENT-02

PMDB, PP, PR, PSD, PRB, PTB e REDE já declaram 157 votos a favor do impeachment, e há ainda mais 116 do chamado “bloco em disputa” ou bloco de centro da Câmara dos Deputados para serem conquistados. Basta assegurar desses mais 42.

Com o desembarque de PMDB e de outros aliados do chamado centro político, a base de apoio fiel ao governo Dilma tende a ficar restrita a PT, PCdoB, PDT e PSOL, que somam somente 97 parlamentares (75 a menos do que os 172 necessários para se manter no cargo). Isolados, os petistas partem para o ataque. Ontem, por exemplo, o senador Humberto Costa (PT), líder do governo no Senado, afirmou que Temer “será o próximo a cair”.

O “Plano Temer” ganha cada vez mais corpo. Paralisado por graves problemas econômicos, sem apoio popular e abandonada pelos aliados no Congresso, Dilma e o PT estão mais fracos para enfrentar o embate político do impeachment em condições competitivas.