Governo promove campanha de ataque aos partidários do impeachment e os operadores da Lava-Jato, mas não consegue neutralizar a disposição de rompimento do PMDB. Lula enfrenta dificuldades para dialogar com os oposicionistas do partido. Odebrecht anuncia disposição de colaborar com o Ministério Público.

DILMA ROUSSEFF

Presidente busca respaldo de juristas e tenta evitar debandada de aliados na batalha do impeachment

p 1“Na ausência de crime de responsabilidade comprovado, o afastamento torna-se um crime contra a democracia. Não cabem meias palavras: o que está em curso é um golpe”. Com esse mote, a presidente Dilma engajou o governo numa campanha contra os partidários do impeachment, Moro, MP e PF. Dilma lançou o bordão em encontro com juristas governistas. Na companhia de aliados, como os ministros do PMDB, abordou o mapeamento do clima sobre o rompimento. O levantamento dos ministros mostra que ainda há uma vantagem de 8 a 10 votos. A OAB apresentará novo pedido de impeachment.

MICHEL TEMER

Presidente do PMDB rejeita adiar decisão sobre saída do governo e evita falar com Lula sobre o assunto

p 2O vice-presidente cedeu aos apelos da ala oposicionista do PMDB e manteve a data da reunião do partido – 29, terça-feira – para decidir sobre a saída do governo. Com isso, contrariou Renan Calheiros e outros peemedebistas adversários do desembarque. Na mesma linha, o cacique recusou-se a conversar com Lula antes de o partido decidir o que vai fazer. Os passos de Temer estão sendo bem calculados. Resistir à ala governista e guardar cautelosa distância de Lula, que está chamuscado perante a opinião pública, só reforçam a posição pró-impeachment dentro da legenda, da qual ele é o grande beneficiário.

TEORI ZAVASCKI

Magistrado envia ao Supremo investigações da Lava-Jato sobre o ex-presidente Lula

p 3Após criticar a atuação de Sérgio Moro, o relator do caso determinou que gravações de conversas do ex-presidente Lula, divulgadas pela Lava-Jato, fossem remetidas ao STF e encaminhadas ao procurador-geral Rodrigo Janot. Segundo Teori, os seguidos pedidos de interceptação do MP, autorizados pelo Juiz do Paraná, tornaram difícil o controle desses grampos telefônicos, que acabaram expondo a presidente Dilma e outras autoridades com foro privilegiado. A decisão recupera o sigilo das provas apuradas pela PF e garante a Lula um feriado mais tranquilo, sem risco de ser preso pela justiça federal de Curitiba, até manifestação do Supremo.

MARCELO ODEBRECHT

Empresa resolve colaborar com o Ministério Público e recomenda que até o presidente faça delação

p 4Três fatos ligados à Odebrecht surpreenderam boa parte de quem acompanha as fases da Lava-Jato: 1) os investigadores descobriram uma espécie de departamento de pagamento de propinas dentro das suas instalações; 2) a empresa anunciou a disposição de fazer com que todos os diretores façam delação premiada; 3) seu presidente, Marcelo Odebrecht, até aqui avesso a colaboração, também foi relacionado entre os que dirão o que sabem. O impacto da notícia levou o MP a negá-la, o que não afetou sua grande repercussão – a empresa é considerada uma das mais implicadas nos escândalos.

ROGÉRIO ROSSO

Deputado retira delação de Delcídio do processo de impeachment, mas não permite reabertura de prazo para defesa

p 5O presidente da Comissão do Impeachment estreou conquistando a confiança dos colegas ao resolver com habilidade um assunto delicado: retirou do processo o conteúdo da delação do senador Delcídio do Amaral, com uma série de acusações à presidente da República. Rosso (PSD-DF), no segundo mandato e pouco conhecido nacionalmente, argumentou que, como a matéria não fazia parte da documentação original, poderia ser questionada pelo Planalto no Supremo. Os governistas, beneficiados pela intervenção do deputado, tentaram em vão multiplicar o ganho – queriam reabrir o prazo de início dos trabalhos para dar mais fôlego a Dilma.