1. Marcelo Odebrecht anuncia “delação definitiva” e já negocia acordo com procuradores. Em nota, maior e mais influente empreiteira do Brasil diz que está disposta a colaborar com a Operação Lava-Jato. Se homologada pelas autoridades, a decisão de delatar deverá ter impacto determinante nos rumos das investigações em curso e no processo de impeachment de Dilma. A empresa é investigada por ter feitos reformas no sítio frequentado por Lula em Atibaia/SP e ter repassado valores ao marqueteiro do PT, João Santana, nas campanhas presidenciais de Lula e Dilma (Estadão – p.A4). O ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, determinou em decisão liminar que o juiz Sérgio Moro envie ao Tribunal os áudios de conversas interceptadas de Lula e os processos que envolvem o ex-presidente e tramitam em Curitiba. Até decisão definitiva sobre o caso no STF, o material ficará sob sigilo no gabinete de Teori, que chamou de “indevida” a divulgação das conversas (Estadão – p.A7).
  2. O Ministério do Planejamento anunciou que o governo autorizou bloqueio adicional de gastos de R$ 21,2 bilhões no Orçamento de 2016 e nova queda na estimativa do PIB para 3,05%. A previsão anterior de retração do PIB era de 2,9%. O valor do bloqueio se soma ao corte de R$ 23,4 bilhões anunciado em fevereiro. Com isso, o total chega a R$ 44,6 bilhões. O novo bloqueio de gastos visa cumprir a meta de superávit primário de R$ 24 bilhões para o governo central – União, Previdência e Banco Central para este ano (Estadão – p.B4). O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que a instituição irá revisar suas expectativas para o PIB de 2016. “Nossa previsão era contração de 2% e vai ser revisada, infelizmente”, disse. “Temos de fazer de tudo para retomar o crescimento em 2017”. Tombini também negou que tenha havido ingerência no BC em relação à fixação da taxa de juros. “Ingerência política é zero, até porque a reunião é colegiada. Não tenho poder para definir voto de ninguém” (Veja on line).
  3. “Acabou! Não tem governo”, disse o ex-ministro Delfim Netto, conselheiro econômico de Lula, após assistir ao “Encontro com Juristas pela Legalidade e Defesa da Democracia”, realizado no Palácio do Planalto. Pela televisão Delfim ouviu o discurso de Dilma durante a solenidade, quando ela sustentou – “Eu jamais renunciarei” – repetindo por várias vezes que está em curso um golpe contra a democracia. O processo, agora, “se acelerou e não há mais acerto possível”, avalia o ex-ministro. O desfecho para Dilma está praticamente dado e ela deve ser tirada do governo, acredita. Delfim vem acompanhando de perto a montagem de eventual governo de Michel Temer (Valor).
  4. Lula não convence o PMDB a rever sua saída do governo. O ex-presidente reuniu-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e com o ex-senador José Sarney (MA) para pedir que o partido “dê um tempo”, até 12 de abril. Os sete ministros do PMDB devem entregar o cargo até esta data. Ontem à noite, um grupo de vinte deputados pressionou o vice-presidente, que também preside o partido, a não aceitar a mudança de data (Estadão – p.A9). Ministros e senadores do PMDB querem adiar a reunião do Diretório Nacional, marcada para 29 de março. Eles são contra o rompimento com o governo. O recado é o de que o partido vai rachar. Temer tratou disso com o presidente do Senado, Renan Calheiros, ontem à noite. Um peemedebista foi duro: “Se ele não tem condições de unir o PMDB, como vai unir o país?” (Coluna Panorama Político – O Globo).

Eventos:

  • Senado analisa as indicações de Juliano Alcântara Noman, Hélio Paes de Barros Júnior e Ricardo Sérgio Maia Bezerra para ANAC.
  • O IBGE divulga pesquisa mensal de emprego.