A ausência do presidente do PMDB na posse de Lula na Casa Civil significa que Michel Temer fez questão de deixar clara sua insatisfação com a insistência do governo em também nomear ministro o deputado Mauro Lopes. Lopes assumiu na Secretaria da Aviação Civil (SAC) ao lado de Lula, mesmo depois de Temer haver telefonado para o ex-ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, alertando que o ato o desautorizaria.

No sábado, o PMDB decidiu estabelecer prazo de 30 dias para deixar o governo e, enquanto isso, determinou que seus filiados não poderiam assumir cargo no governo.

Segundo interlocutores de Temer, a atitude da presidente Dilma significa que o governo não precisa do PMDB. Logo, não há assunto a respeito do qual dialogar. Na posse de Lula e Lopes só havia mais um representante do PMDB – o deputado Saraiva Felipe, ex-ministro da Saúde.

Uma fonte que faz parte da cúpula do partido, informa: pelo menos 50 deputados estariam dispostos a anunciar antecipadamente sua posição a favor do impeachment.

Tudo isso é uma demonstração de que Lula terá muita dificuldade para reverter a disposição dos peemedebistas. Deu ruim. Ou seja, em vez de ajudar, sua companhia está atrapalhando a presidente Dilma, fato impensável há pouco mais de um ano, quando seu prestígio foi fundamental para reelegê-la, apesar do fracasso do primeiro mandato e de uma campanha com afirmações e promessas insustentáveis.

Divulgação de diálogos do ex-presidente com vários interlocutores dirigindo insultos ou criando constrangimento a um amplo espectro de autoridades mostra alguém competente para criar atrito, gerar desentendimento, estimular retaliação.

Jamais exercer a função de coordenador político, uma atividade prima da diplomacia, que exige paciência, habilidade, jeito e alta capacidade de sedução. “Política é a arte de namorar homem”, diz uma velha máxima do meio, precisa de “Lulinha Paz e Amor!”, não de jararacas.

Lula, que nos últimos tempos criticou Dilma sistematicamente, acusando-a de ter desapreço pela política, superou de longe a aversão da presidente ao diálogo, à conversa de bastidor, ao tapinha nas costas, ao entendimento.
Para Lula… Supremo? “Acovardado”; presidente da Câmara? “Fodido”; presidente do Senado? “Fodido”; fiscais das Receita Federal? “Suspeitos”. Procurador-Geral da República? “Mal agradecido”. E assim por diante.
Diante desses eventos de sua estreia como articulador político, os adversários lembram que o relacionamento de seu governo (2002-2010) com o Congresso foi pautado pelo escândalo do mensalão (maioria formada à base da compra de votos).