Duas resoluções firmadas na convenção nacional do PMDB, realizada no sábado, 12, em Brasília, foram particularmente importantes. A primeira foi adiar para os próximos 30 dias a decisão sobre o rompimento com o governo. Fontes do partido indicam que 90% de seu diretório quer sair do governo. A segunda foi impedir que qualquer membro do partido assuma cargo no Executivo durante o período.

Quais os objetivos dessas duas decisões? A primeira é exercer maior pressão sobre um governo enfraquecido e que está no “córner”. Durante a convenção, a ala governista pouco se manifestou, e nenhum dos ministros da legenda defendeu o governo.

A decisão do partido também exerce pressão adicional sobre a bancada governista na Câmara. Cria ainda constrangimento para o governo nomear o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria da Aviação Civil.

O aviso prévio do PMDB sinaliza, igualmente, que a base do partido deseja o rompimento e o impeachment e que, por consequência, as bancadas na Câmara e no Senado serão pressionadas para apoiar o processo.

Pesam a favor do desembarque a elevada rejeição das ruas à presidente Dilma Rousseff e a proximidade das eleições municipais, que poderão comprometer seriamente o desempenho do PMDB.

O partido só não rompeu com Dilma no último fim de semana porque ainda há incertezas no cenário político que precisam ser equacionadas. Porém, tanto o PMDB quanto outras importantes legendas emitem sinais de que já estão operando no pós-Dilma.

Na semana passada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jantou com senadores do PSDB. No encontro, avaliou que o governo Dilma chegou ao esgotamento, mesma leitura feita pelo PSDB. Nesse encontro, houve uma mudança de posição dos tucanos, que, anteriormente, preferiam uma saída via Tribunal Superior Eleitoral. Agora, entendem que o impeachment seria a fórmula mais adequada, o que os aproxima do PMDB.

A movimentação com o pensamento já voltado para o pós-Dilma ocorre inclusive dentro do PT. O convite feito a Lula para integrar o ministério, a fim de que usufrua da prerrogativa do foro privilegiado, é sintoma de que os petistas não acreditam na capacidade de reação de Dilma.

O discurso feito pelo vice-presidente da República, Michel Temer, ao ser reeleito presidente nacional do PMDB durante a convenção de sábado, embutiu claramente a mensagem de que ele está pronto para suceder a Dilma Rousseff. “Não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar os ânimos, de levantar muros. A hora é de construir pontes”, afirmou.

AGENDA DO IMPEACHMENT

O Supremo Tribunal Federal julga hoje os questionamentos feitos pela Câmara dos Deputados ao rito do impeachment. Resolvido esse capítulo, seu presidente, Eduardo Cunha, se reunirá com os líderes dos partidos para tratar da indicação dos membros da comissão do processo contra a presidente.

De forma geral, os próximos passos são os seguintes: 1. Indicação dos integrantes da comissão. O prazo deve ir até a próxima semana; 2. Votação dos nomes pelo plenário. Espera-se que isso ocorra ainda em março, entre os dias 23 e 30; 3. Instalação da comissão, que se reúne para escolher presidente, relator e definir o roteiro de trabalho. Primeira semana de abril; 4. Apresentação e votação do parecer. Entre o final de abril e o início de maio; 5. A votação pelo plenário da Câmara pode ocorrer em meados de maio. Entre a decisão do STF e a votação em plenário (meados de maio), o processo deverá demorar entre 45 e 60 dias.