Só faz sentido a posse de Lula no cargo de primeiro-ministro se ele tiver combinado com os russos. Ou seja, convencido o PMDB a voltar para a base com a missão de salvar a presidente Dilma do impeachment. Mas bons peemedebistas dizem que isso é impossível, pois os eleitores não aguentam mais petista.

Nas eleições de 2010, Lula fazia milagres. Até os tucanos em campanha para deputado, por exemplo, pediam para fazer selfie com ele porque saiam bem na foto. Hoje a imagem de Lula é zika vírus.

Então, de volta ao Planalto, o máximo que Lula conseguiria unir seria o PT, partido que sempre ganha no fim, qualquer que seja a modalidade de esporte. Por isso, o PMDB torce para que ele dê errado.

Dilma precisa de 172 votos para não ser deposta. Na Câmara, o partido de Temer e Renan tem 67 votos, dos quais 32 já deixaram o governo e 35 prometem imitá-los. De onde vão sair os substitutos desses ex-governistas, ainda que os 35 não cumpram a palavra? Toda a bancada ruralista, uma das mais conservadoras do Congresso, fez questão de esperar a nomeação do novo ministro para declarar seu apoio ao impeachment.

Por que um político experiente como o ex-presidente entraria numa história dessas para perder? Desespero, é a resposta dos luas pretas do PMDB. A prioridade de Lula é um abrigo antilava-jato. Se não fará bem a Dilma, a economia poderia ganhar com a volta de Lula. Basta olhar para os mercados e constatar que isso também não é verdade.

Ontem, nos três minutos durante os quais o nome do ex-presidente apareceu na Globo News como confirmado para ocupar a Casa Civil, a Petrobras perdeu R$ 10 bilhões e o Banco do Brasil R$ 13,5, quase R$ 25 bilhões. Hoje, vazaram informações sobre a hipótese de tanto o ministro Nelson Barbosa quanto o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixarem seus cargos por não concordarem com a política populista que o PT propõe ao superministro da coordenação do governo.

Além disso, em virtude do nível de complexidade do desarranjo econômico, não há especialista que vislumbre um plano de ajuste proposto por um expert, como Joaquim Levy era, capaz de desatolar o Brasil num prazo eleitoralmente util. Quanto mais por um político que triunfou num período de vacas gordas e agora acena com um pacote cruzando mais consumo e menos receita por meio de incentivos crescentes.

Dilma chamou Lula para tentar o milagre de ressuscitar o governo. O máximo que ele pode fazer é uma espécie de preleção de técnico de futebol antes de um jogo perdido. Pedir garra, bola para o centroavante, retranca. Nada resiste ao fato de o adversário já estar cuidando do dia seguinte – nomes para a equipe, planos de governo, discurso de posse.