A crise política pode ter os seguintes desfechos nos próximos 30 ou 45 dias:

  1. Em seu aprofundamento, a presidente Dilma Rousseff rompe com o PT e tenta refazer o governo a partir de uma nova maioria. É uma possibilidade, ainda que improvável. No entanto, o agravamento da crise pode levar a essa opção;
  2. Sentindo-se isolada e sem condições, a presidente Dilma solicita licença e pede que o vice-presidente organize uma nova maioria para aprovar medidas emergenciais. É outra alternativa improvável, mas que não pode ser descartada diante de um acirramento da crise;
  3. O TSE, em que pese o clima, não deve acelerar o julgamento da chapa a ponto de este ser concluído nos próximos 30 ou 45 dias;
  4. A partir da decisão do STF sobre constituição e funcionamento da comissão que examinará o impeachment, o processo começará a ser debatido na Câmara com resultados incertos. Hoje o governo ainda tem maioria para barrar o impeachment. A cada dia, no entanto, a situação fica pior para o Planalto;
  5. As manifestações de 13 de março, por causa das recentes revelações e pela disposição de resistência de Lula e de seus aliados, têm um poder desestabilizador importante que pode acelerar os vários tempos da crise.

Portanto, salvo um evento extraordinário, o que veremos no período é o agravamento da crise política a partir de novas delações, mas sem uma definição clara do fim do governo. Até mesmo pelo fato de as crises – econômica e política – e as investigações da Operação Lava-Jato e da Operação Zelotes terem tempos distintos e dinâmicas próprias.