Em menos de um mês, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sofreu sua terceira derrota política. A primeira foi na escolha do líder do PMDB. Depois, o Conselho de Ética resolveu, finalmente, dar prosseguimento ao processo de cassação do seu mandato. E nesta quarta-feira, 2, a maioria do STF decidiu acatar o processo contra ele. O julgamento será concluído nesta quinta-feira, tornando-o réu na investigação da Operação Lava-Jato.

Embora a decisão do STF não resulte em afastamento de Cunha da presidência da Câmara, a pressão para que ele deixe o cargo aumentará. O deputado promete resistir e levar seu mandato até o fim. “Posso ser réu, mas não sou condenado”, reage.

O relacionamento entre Cunha e o PT deve piorar. Vários parlamentares do partido criticaram sua permanência no posto depois da decisão do STF e pediram sua saída. A motivação do presidente da Câmara para continuar criando problemas para o governo também pode aumentar.

Principalmente depois que o Planalto, além dos três revezes sofridos pelo peemedebista conseguiu amealhar alguns resultados positivos, mesmo de valor moderado e que não mereceram festejo nem mesmo por parte do governo.

Por exemplo: as contas externas, motivo sistemático de colapsos anteriores, vão bem; o dólar, um dos principais sinalizadores de problemas, mantém-se abaixo de R$ 4,00; o Senado acaba de aprovar projeto que alivia a Petrobras no financiamento da exploração do pré-sal.

Cunha está mais fraco, não está morto

O próprio Eduardo Cunha prometeu dar prioridade aos projetos de ajuste fiscal, como a Reforma da Previdência. E além disso, Dilma e PT se desentenderam, o que a deixa livre da pressão ideológica do partido em favor de políticas heterodoxas.

Apesar de sua fragilidade, no entanto, o deputado carioca ainda tem apoio suficiente para permanecer no cargo e continuar protelando o processo que enfrenta no Conselho de Ética.

A decisão do STF não altera de forma significativa o quadro político no curto prazo, dado que o processo contra Cunha deve ser longo. Mas mantém a temperatura política elevada, o que para o governo não é bom.