A discussão sobre a ruptura entre a presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores (PT) reverbera na oposição, que está assanhada com a ideia. Nos bastidores, os partidos acertam alternativas para as crises política e econômica que rondam o Palácio do Planalto. Os motivos são diferentes, mas partidos do governo e da oposição se alinham em órbita contrária a Dilma.

“Se o PT der aval, nós tocamos o impeachment”, garante o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força. Ele está convencido de que a economia voltará a apresentar resultado no dia seguinte à queda de Dilma. Em troca, os petistas seriam convidados a fazer parte de um grande projeto a favor do Brasil, encabeçado pelo vice-presidente da República Michel Temer.

Para esta hipótese prevalecer, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria de rejeitar o pedido de cassação da chapa eleita em 2014 Dilma-Temer. Caso o tribunal aceite o pedido dos tucanos, caem os dois. No partido de Lula, o desejo é mudar-se automaticamente para a oposição, na hipótese do impeachment de Dilma. Eles recordam momentos históricos, quando recusaram alianças: não assinaram a Constituição Federal de 1988, não fizeram parte da coalizão no governo Itamar Franco e a não apoiaram o Plano Real, que deu estabilidade à economia.

No lado petista, a ideia é paralisar as investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado na Operação Lava Jato. Rifando Dilma, os petistas acreditam que diminuiriam as pressões contra Lula.

Com a medida, PT acredita na definição de um candidato a presidente da República em 2018. O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, é o principal nome que desponta entre a militância do partido, carente de um substituto de Lula.

Engana-se quem pensa que a substituição do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por Wellington César Lima e Silva representa trégua a Dilma. Para o lado em que olha, ela está acuada. Fortaleceram oposição e aliados. Perde Dilma.