A nova pesquisa Datafolha mostrou que a desaprovação (“ruim/péssimo”) ao governo Dilma Rousseff segue elevada (64%). Porém, o índice vem numa trajetória de queda desde novembro do ano passado. Nos últimos três meses, o percentual caiu três pontos (67% para 64%).

No entanto, isso não provoca uma melhora na aprovação do governo (“ótimo/bom”), que oscilou um ponto para baixo entre dezembro de 2015 e fevereiro desde ano. O que cresceu no mesmo período foi a avaliação “regular”(três pontos), mostrando que a opinião pública está em “compasso de espera”, conforme análise do próprio Datafolha.

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Apesar da insatisfação com o governo, o Datafolha ressalta que, na comparação com a pesquisa feita em dezembro, os brasileiros estão menos apreensivos. O Índice Datafolha de Confiança, que tem como base expectativas econômicas e pessoais, subiu sete pontos no período, alcançando 87 pontos.

Paradoxalmente, 80% dos entrevistados avalia que a situação econômica do país piorou nos últimos meses. Apenas 5% diz que melhorou. E 14% afirmou que ficou como estava.

Além da rejeição ao governo e do pessimismo com a economia, o Datafolha trouxe duas informações preocupantes para Dilma: 60% entende que a Câmara dos Deputados deveria aprovar o impeachment da presidente (somente 33% é contrário a abertura do processo) e 58% avalia que Dilma deveria renunciar ao cargo (37% diz que a presidente não deve renunciar).

Embora o Datafolha tenha trazido números semelhantes a CNT/MDA, ela mediu melhor o clima da opinião pública, pois foi realizada após a notícia da prisão do publicitário João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, ao contrário da sondagem feita pelo MDA.

Sucessão 2018: alta rejeição de Lula não é capitalizada pela oposição

Embora a atual crise tenha atingido negativamente a imagem do ex-presidente Lula, a oposição não conseguiu aproveitar politicamente o atual desgaste do governo Dilma Rousseff (PT) em seu favor.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que saiu da eleição de 2014 como líder da oposição, perdeu três pontos percentuais (27% para 24%) e hoje aparece tecnicamente empatado com Lula, considerando que a margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A ex-senadora Marina Silva (REDE), que se beneficiou da crise em pesquisas anteriores, também está estagnada. Embora sua oscilação positiva tenha ficado dentro da margem de erro, quem mais lucrou na sondagem foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PP), que já aparece com 6% das intenções de voto, patamar similar ao do ex-ministro Ciro Gomes (PDT). O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), também aparece com baixa intenção de voto. E o chamado “não voto” (brancos, nulos e indecisos) contabiliza 21%.

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No segundo cenário testado pelo Datafolha, com o governador Geraldo Alckmin (SP) sendo o nome do PSDB, há empate técnico entre Lula e Marina na primeira posição. No entanto, os dois pré-candidatos, assim como Alckmin, perdem pontos em relação a pesquisa realizada em dezembro do ano passado. Assim como no cenário anterior, quem registra uma oscilação positiva é Jair Bolsonaro. Brancos, nulos e indecisos somam 25%.

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Quando o pré-candidato do PSDB é o senador José Serra (SP), o cenário é praticamente igual ao anterior. Aliás, hoje Serra uma intenção de voto muito parecida com a de Alckmin, o que também o coloca com pretensões de disputar o Palácio do Planalto em 2018.

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O Datafolha também testou um hipotético cenário com as presenças de Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, que somente será possível caso Serra e Alckmin troquem de partido. Nessa simulação, Aécio, Lula e Marina ficariam tecnicamente empatados em primeiro lugar. Assim como ocorreu em outras simulações, Serra e Alckmin tem praticamente o mesmo “tamanho”. Hoje, a entrada de Serra e Alckmin não ameaçaria o protagonismo de Aécio. Porém, Marina continua sendo um risco para o PSDB, principalmente se chegar ao segundo turno.

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Conforme temos afirmado em nossa análises, a sucessão de 2018 está em aberto. Apesar de Lula demonstrar ter um eleitorado fiel, o que seria importante para levá-lo ao segundo turno, sua elevada rejeição (ver tabela abaixo) é um obstáculo para o ex-presidente chegar novamente ao Palácio do Planalto. Aliás, vale destacar que a rejeição a Lula foi a única que cresceu. Os índices dos demais pré-candidatos oscilaram para baixo.

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Devido a mudança de vento na política nacional, hoje é mais vantajoso para o PSDB enfrentar Lula num segundo turno que Marina Silva, já que a ex-senadora possui baixo índice de rejeição e um perfil com condições de seduzir parcela importante da opinião pública.

A elevada rejeição a Lula somado as dificuldades que o PSDB encontra para se beneficiar da atual crise, o crescimento de Jair Bolsonaro e o elevado percentual de eleitores dizendo que votaria em branco ou nulo mostra uma opinião descrente em nossos sistema político.