Hoje, 1º de março, acontece a famosa Super Tuesday ou Super Terça das primárias para Presidente dos Estados Unidos. Imprensa e população americana não falam de outra coisa. Apesar de o assunto repercutir de maneira intensa na imprensa mundial, inclusive no Brasil, poucos veículos de comunicação explicam o complicadíssimo sistema de escolha dos candidatos das eleições dos Estados Unidos, que envolve variáveis pouco conhecidas para nós brasileiros, como primárias, caucus, delegados e superdelegados.

O mais importante dia das primárias, a Super Terça, terá votações em 14 estados e territórios. Tanto os republicanos quanto os democratas organizam primárias nos estados do Alabama, Arkansas, Georgia, Massachusetts, Oklahoma, Tennessee, Texas, Vermont e Virginia. Ambos também terão causus nos estados de Colorado e Wyoming. Republicanos terão caucus no Alaska e em Wyoming. Outro caucus Democrata será organizado no território da Samoa Americana.

Primeiro ponto: qual a diferença entre uma eleição primária e um caucus? Uma primária é uma votação estadual, onde eleitores registrados votam secretamente em seu candidato preferido. Muito parecido com uma eleição normal.

Um caucus é um encontro local, no qual eleitores registrados se reúnem para escolher o candidato do partido em uma discussão aberta, quase como em uma assembleia. É o método mais antigo e tradicional para a escolha de candidatos e delegados. Apesar de sua história, pouquíssimos Estados ainda utilizam este método.

Qual a importância da Super Terça?

É o dia onde o maior número de delegados são distribuídos entre os candidatos. Do lado Republicano, a Super-Terça é a chance de candidatos conseguirem metade dos 1.237 delegados necessários para garantir a nomeação. Para os Democratas, 800 delegados estão em jogo, um terço do necessário.

E o que são os já mencionados delegados? Neste complexo sistema eleitoral, de séculos atrás, a palavra final não é necessariamente do eleitor, e sim dos delegados, que votam de acordo com a vontade da população de seu respectivo estado.

O Partido Democrata usa um método proporcional para distribuir votos dos delegados em cada estado. Já o Partido Republicano permite que cada Estado decida entre o método proporcional e o método “winner takes all”, onde o vencedor, independente da proporção de votos populares, recebe todos os votos dos delegados daquele respectivo estado.

É justamente aí que podem ocorrer situações bizarras para uma democracia, onde o eleito pode, na teoria, ter menos votos populares que o segundo colocado. Tal situação também é possível acontecer na eleição geral, apesar de raro. O Democrata Al Gore, em 2000, acabou com mais votos populares, mas perdeu para o Republicano George W. Bush na contagem dos delegados

Para complicar ainda mais a história, o Partido Democrata ainda conta com os tais superdelegados. Normalmente são grandes líderes do partido, ex-Senadores ou ex-Governadores, que votam independente do posicionamento do eleitorado. Ou seja, ignoram as urnas e decidem de maneira individual para onde vai o seu voto. No Partido Democrata representam 30% do total de delegados necessários para garantir a nomeação.

A Super Terça de hoje é especialmente importante, dada a complexidade do momento político nos EUA. O controverso candidato Republicano Donald Trump tem a chance de disparar. Já seus adversários, Ted Cruz e Marco Rubio, precisam mostrar força para que convençam o outro a sair da corrida eleitoral. Ambos sabem que, para continuar com chances, precisam da desistência do outro. O Texas, com 155 delegados republicanos e 252 delegados democratas, é o estado mais importante da noite.

Do lado Democrata, hoje é o dia onde Hillary pode acabar com a esperança do senador Bernie Sanders.

E o que deve acontecer? Ted Cruz deve ir bem nos estados do Sul, Rubio deve continuar patinando, indo razoavelmente bem em muitos estados mas sem vitórias. Trump deve consolidar sua campanha com vitórias expressivas em estados importantes. Do lado Democrata, Hillary deve ir bem e disparar na liderança.

Ao que tudo indica, caminhamos para a disputa que o Partido Republicano mais temia: Hillary Clinton vs. Donald Trump.