Pesquisa CNT/MDA mostrou uma leve melhora na avaliação do governo Dilma Rousseff, mas insuficiente para ser motivo de comemoração pelo Palácio do Planalto. O índice positivo (“ótimo”/”bom”) aumentou 2,6 pontos percentuais, um pouco acima da margem de erro da sondagem (2,2 pontos).

Já o percentual negativo (“ruim”/”péssimo”) caiu 7,6 pontos. A grande parcela dos entrevistados que rejeitava o governo em outubro do ano passado migrou para a avaliação “regular”, que cresceu 4,8 pontos no período.

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Essa leve melhora na avaliação do governo pode ser atribuída à mudança de discurso do governo, que passou a adotar um tom mais equilibrado, sobretudo no que diz respeito ao ajuste fiscal. Além disso, apesar da crise não houve corte nos benefícios sociais, em especial no Bolsa Família, e ocorreu um significativo reajuste no valor do salário mínimo.

Embora ainda não seja possível mensurar se a redução na rejeição ao governo representa uma tendência ou uma melhora eventual (o que só será possível saber a partir das próximas pesquisas), o resultado da CNT/MDA vem em um bom momento, pois estão sendo convocadas para o dia 13 de março novas manifestações no país em favor do impeachment. Com isso, ao menos momentaneamente, tanto os protestos quanto a tese do impedimento da presidente podem perder força.

Mesmo com a queda na avaliação “ruim” e “péssimo”, 44,7% dos entrevistados consideram o governo “péssimo”, contra apenas 1,7%, que o avaliam como “ótimo”. Ou seja, quando olhamos os extremos da avaliação, o cenário ainda se apresenta bastante negativo para Dilma.

A piora do cenário econômico – principalmente o aumento da inflação e do desemprego, somado à queda do poder de compra – e o avanço da Operação Lava-Jato explicam a elevada impopularidade da gestão.

Segundo a CNT/MDA, 67,8% dos entrevistados consideram Dilma culpada pela corrupção na Petrobras; e 70,3% acham o mesmo em relação ao ex-presidente Lula.

Apesar de o tema da corrupção atingir negativamente o governo, a maioria dos entrevistados (52,2%) acredita que a crise econômica, entre as várias crises pelas quais o país passa, é a mais grave. Outros 44,1% entendem que a mais grave é a política. No entanto, 62,1% dos ouvidos creem que o principal culpado da crise brasileira como um todo é a corrupção.

A melhor notícia para Dilma Rousseff obtida na pesquisa foi a queda no percentual dos entrevistados favoráveis ao impeachment. Em outubro de 2015, 62,8% eram favoráveis ao impedimento da presidente e somente 32,1% eram contra. Agora, 55,6% são favoráveis e 40,3% são contra.

Sucessão 2018: Aécio lidera a pesquisa CNT

A CNT/MDA também realizou simulações sobre a eleição presidencial de 2018. Quando o senador Aécio Neves (MG) aparece na pesquisa como candidato do PSDB, a liderança pertence a ele, embora com um percentual inferior ao que apresentou no primeiro turno da eleição de 2014 (cerca de 1/3 dos votos válidos). O ex-presidente Lula (PT) perdeu bastante capital político e atualmente tem uma intenção de voto similar à da ex-senadora Marina Silva (REDE). Nota-se também um elevado percentual do chamado “não voto” (branco e nulo), que, somado ao número de eleitores indecisos, contabiliza 29,7%.

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Nas simulações de segundo turno, Aécio venceria Lula. Porém, na comparação com outubro do ano passado, o senador mineiro perdeu intenção de voto. Já o ex-presidente, ficou estável. Essa redução do “tamanho” de Aécio explica a decisão do PSDB de propor uma agenda mais propositiva para o partido, abandonando momentaneamente o discurso focado apenas na oposição ao governo.

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Com base nas simulações de 2018 feitas pela CNT/MDA, constata-se que o cenário está em aberto. Embora Aécio Neves desponte como favorito, ele perdeu um pouco de força. As demais opções do PSDB (Alckmin e Serra) têm potencial eleitoral semelhante.

O ex-presidente Lula, mesmo bastante desgastado, não pode ser considerado fora do jogo. Apesar da crise, ele ainda preserva um eleitorado cativo, que pode chegar a 1/3 do país num eventual segundo turno.

Marina Silva representa hoje o principal nome fora da polarização PSDB x PT. No entanto, ela teria de travar uma batalha em duas frentes para vencer a eleição presidencial: primeiro, chegar ao segundo turno; depois, vencê-lo.

Com os principais nomes do PSDB e do PT sem dispor da força que exibiam no passado e com Marina ainda sem empolgar, a sucessão de 2018 está em aberto. Prova disso é o elevado percentual de eleitores declarando voto nulo ou em branco, o que mostra uma opinião pública descrente da política tradicional e aguardando novas opções no mercado eleitoral.