Os resultados da cúpula do mundo sobre mudanças climáticas, COP 21, em dezembro do ano passado em Paris, foram festejados como um sucesso pela mídia do mundo inteiro. Em particular dois aspectos foram profusamente mencionados pela imprensa internacional: os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura da terra abaixo dos dois graus Celsius e a criação do Quadro de Transparência para a Ação e Apoio, para acompanhar tanto o dinheiro investido, quanto as ações feitas a partir do financiamento, saudados por alguns como mais importante do que a definição de metas.

Quais as razões para o sucesso da COP 21?

Desde a sua fase de preparação a COP 21 foi marcada pelo fracasso de Copenhague. Era extremamente temerário repetir este feito e a diplomacia francesa tinha plena consciência deste fato, empenhando-se arduamente para obter um resultado positivo. E contava com a mesma percepção de vários parceiros internacionais, inclusive o Brasil. Havia, portanto, um ambiente favorável ao entendimento.

Existiam também as razões internas dos dois maiores opositores, Estados Unidos e China. No caso deste último país os desastres ecológicos – poluição urbana e recursos hídricos – pressionaram o governo a adotar medidas de proteção ambiental, o que levou a China a ser um dos maiores investidores em fontes limpas de energia, particularmente eólica e solar.

Chefes de delegações na COP 21, em Paris
Chefes de delegações na COP 21, em Paris

No caso dos Estados Unidos a descoberta do gás de xisto reduziu em 30% a produção de gases de efeito estufa comparativamente ao uso de petróleo e seus derivados. Ademais, o Presidente Obama elegeu o combate às mudanças climáticas como um de seus principais legados governamentais. Por isso, os Estados Unidos defenderam que o acordo não tivesse caráter legalmente vinculante em relação aos compromissos de corte de emissões, pois sem ter a natureza de um tratado internacional pode entrar em vigor independente da chancela do Congresso americano.

Há, contudo, uma outra razão por trás não apenas da nova posição dos Estados Unidos, mas também de outros grandes países: as mudanças tecnológicas nos últimos 23 anos.

De 1992 até hoje a eficiência energética ampliou-se consideravelmente com a aplicação de novas tecnologias na construção, manutenção e recuperação na indústria da construção civil, mas também nos processos industriais e na produção de bens de consumo doméstico.

Novos concorrentes entraram em cena no fornecimento de energia. Os números são realmente surpreendentes.

Segundo um relatório recente da firma de investimentos Lazard, o custo da geração de eletricidade usando energia eólica caiu 61% entre 2009 e 2015. O crescimento do uso da energia solar está presente em dezenas de países desde 2010. Ela representa 27% da energia consumida na Finlândia. A China é o maior produtor, sendo responsável por 1/4 da produção mundial, seguido da Alemanha.

Igualmente surpreendente é o crescimento da produção de energia solar, cujo custo caiu 82% entre 2009 e 2015. A China já é o país mais desenvolvido neste campo, tendo alcançado em 2013 a produção de 12 GW, e prevendo mais 17 GW nos dois próximos anos. O Japão é segundo com 10,5 GW. A expectativa mundial para 2015 era um crescimento de 30%.

A capacidade de conservação de energia com a criação de novas baterias de metal líquido tornou menos problemático a produção e uso da energia solar e eólica, graças aos trabalhos de Donald Sadoway, do MIT, entre outros. As novas baterias tendem a resolver o problema da intermitência das energias solar e eólica.

Apesar das irregularidades da trajetória recente da produção de biocombustíveis em alguns lugares do mundo o tal fonte tem crescido e a consultoria Lux Research prevê um salto da ordem de 11% até 2018.

Finalmente, a produção de energia nuclear, que havia recuado com o desastre de Chernobil, voltou a crescer. Até recentemente havia 435 reatores de energia nuclear funcionando no mundo. Atualmente há cerca de 65 em construção com uma produção aproximada de 400 GW.

São estas mudanças que estão por trás das decisões da COP 21, e se as tendências se mantiverem elas poderão criar uma reflexão importante.