O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acredita que a escolha de Hugo Motta para a liderança do PMDB na Câmara com uma diferença de seis a oito votos é questão vencida. A previsão parte da constatação de que o partido está rachado, e não apenas a respeito da disputa pelo comando na Casa. O grupo que perder a eleição terá grande influência no futuro comportamento da legenda.

Cunha, por exemplo, teria uma dezena de deputados dispostos a deixar o PMDB e se transferir para um partido com forte presença de evangélicos, como o PSC, cuja bancada de 13 deputados alinha-se com a oposição. Entre seus militantes estão o bispo Everaldo, que disputou a Presidência da República em 2014, e o pastor Silas Malafaia, um dos líderes evangélicos mais atuantes politicamente.

Cunha avalia que a dissidência na bancada do PDMB é consistente o suficiente para apostar no surgimento de uma nova legenda.

Avaliação de Cunha

O presidente da Câmara avalia que a dissidência na bancada de seu partido é consistente o suficiente para aproveitar o momento de grandes embates e a desagregação política para, a exemplo das cogitações do PT, apostar no surgimento de uma nova legenda ou no reforço de alguns partidos menores. A janela partidária de 30 dias legalizando a troca de agremiação ajusta-se perfeitamente ao plano.

O deputado carioca está se armando para, na hipótese de cassação de seu mandato, tirar proveito da oportunidade e partir para um projeto político alternativo. Entre os principais líderes do PMDB que até recentemente brigavam por um realinhamento político por ocasião da eleição da presidência da legenda em março, Cunha é o mais audacioso e aquele com maior envergadura para seguir um caminho solo.