A pesquisa Focus do Banco Central, fechada sexta-feira passada (5 de fevereiro) junto a mais de 100 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa, continua a prever manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano. Mas, as Top 5, as cinco instituições que mais acertam as previsões, agora preveem que a Selic fechará o ano em 13,25% ao ano.

Quatro semanas antes (em torno do dia 10 de janeiro), pouco antes da reunião do Comitê de Política Monetária que manteve os juros em 14,25% e foi motivo de muitas críticas dos economistas do ‘mercado’, as Top 5 acreditavam que a Selic iria a 15,25% ao ano.

Essa violenta queda de dois pontos percentuais nas expectativas dá bem a dimensão de como a biruta virou na economia mundial, cuja maior evidência é a adoção de juros negativos pelo Banco Central do Japão, na tentativa de forçar os japoneses, tradicionalmente poupadores, a gastar dinheiro no consumo com o medo de que a forte queda dos preços do petróleo e das commodities gere deflação (temor igualmente da União Europeia e do Fed), cuja superação é um forte complicador para a economia global.

Agora, imagine se a maioria de seis membros do Copom, à frente o presidente Alexandre Tombini, que acabara de participar de uma sombria reunião do BIS, o ‘Banco Central dos bancos centrais’, na Basiliéia (Suíça), não tivesse votado contra a alta de juros no Brasil e seguido a tendência de dois membros (e do ‘mercado’), que queriam alta de 0,50 pontos percentuais?

O país, em severa recessão, e com alta de preços causada por fenômenos climáticos, que costumam ser de curta duração, ficaria amarrado por 45 dias (até a próxima reunião do Copom, em março) a uma taxa de juros ainda mais insana. Cada vez mais me convenço de que o esperneio dos que condenaram o Copom encobria necessidade de esconder seus próprios erros de avaliação e os maus conselhos que deram aos clientes, que ainda pagaram duplamente caro pelos erros alheios.