2016 mantém o Palácio do Planalto sob nível de pressão parecido com aquele verificado no final do ano passado. Espremido entre a permanente ameaça do impeachment e as fragilidades da base aliada, a presidente Dilma pedala sem sair do lugar. Ao trocar Joaquim Levy por Nelson Barbosa, com quem tem maior afinidade, ficou com a responsabilidade de acertar, mas ainda não tem plano de voo. Um terço do primeiro mês do ano se passou e nem governo nem oposição têm notícia para dar, ainda que ruim.

Dilma Rousseff

Enquanto o mundo político encena um dramalhão, o país sofre na vida real.

Acúmulo de problemas travam a partida do segundo ano do mandato da presidente

Mesmo com o Congresso em férias e seu maior adversário político, Eduardo Cunha, na mira implacável da Procuradoria-Geral da República (PGR), a presidente não tem descanso. O calendário do impeachment que enfrenta na Câmara dos Deputados ainda representa uma ameaça e as cobranças de medidas econômicas para ajustar as contas públicas e retomar o crescimento não param. Numa entrevista destinada a acalmar o mercado, Dilma prometeu fazer a reclamada reforma da Previdência e, com isso, desagradou seu partido, que se alimenta das corporações sindicais. Não se consegue vislumbrar como ela fará para tentar sair do corner.

Nelson Barbosa

Membros da equipe econômica do PT observam que algumas ideias do partido devem ser deixadas de lado.

Sociedade cobra medidas para consertar economia; BC diz que o remédio é aumentar juros

Depois da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda é o principal alvo das expectativas da sociedade diante da ausência de resultados do governo. Governadores querem ajuda para pagar contas, o PT busca boas notícias para os palanques das eleições municipais e o mercado pede um mapa da política de estabilidade econômica a ser seguido. O sinal prático de que o governo tem um plano e vai agir, emergiu nos últimos dias do Banco Central. O BC prepara-se para aumentar a taxa de juros Selic com o objetivo de esfriar a inflação, que se afastou da meta e põe em risco o controle da economia.

Jaques Wagner

3Troca de mensagens interceptadas pela Operação Lava-Jato apontam relação do ministro com a empreiteira OAS

O ministro da Casa Civil tornou-se alvo de novas revelações da operação Lava-Jato com a divulgação de mensagens que trocou com o ex-presidente da OAS Leonardo Pinheiro. Na época em que era governador da Bahia, o ministro negociou com o empreiteiro doações para campanha a prefeito de Salvador de Nelson Pelegrini; Léo pede intermediação para liberar recursos de um convênio da empresa com o Ministério dos Transportes. Responsável pela cobertura polí- tica das ações da presidente da República, as supostas irregularidades comprometem o futuro do ministro da Casa Civil ao deixarem Dilma Rousseff exposta.

Eduardo Cunha

11091248_989019254442759_7596121229821539437_nNovas denúncias de fraudes, pressão da PGR e desgaste político agravam situação de Cunha

O presidente da Câmara dos Deputados foi acuado pela decisão do Supremo Tribunal Federal de autorizar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal e de seus familiares. O cerco sobre ele fecha-se aos poucos no campo jurídico. Ganhos financeiros de 100% em aplicações, feitas pelo parlamentar entre 2004 e 2005, foram considerados irregulares e “mais raros do que os de um jogador da Mega-Sena”. Embora tenha ganhado tempo com manobras regimentais, Cunha não conseguiu evitar que o Conselho de Ética da Câmara leve adiante processo contra ele. Além disso, perdeu o apoio da oposição.

Luiz Fernando Pezão

1O Rio não consegue pagar suas contas e desgasta os principais aliados da presidente Dilma

Crise sem precedentes abala a popularidade do governador do Rio, depois que uma dívida de R$ 1,4 bilhão com fornecedores da área de saúde obrigou Pezão a fechar sete hospitais e dezessete Unidades de Pronto Atendimento (UPA), levando o sistema de saúde ao colapso. O governo também não tem recursos para cobrir gastos da Previdência estadual, que somam R$ 17,8 bilhões. Às vésperas das Olimpíadas, o sufoco do Tesouro carioca enfraquece politicamente o grupo que, além de Pezão, abriga a família Picciani, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, donos do único PMDB aliado seguro da presidente Dilma.