No Brasil, há muitas décadas todos os governos proclamam que a educação é sua meta prioritária. Proclamação demagógica e enganosa. Segundo todos os índices e pesquisas nacionais ou internacionais, a qualidade da educação brasileira é cada vez mais vergonhosa, constituindo-se como a maior das tragédias nacionais. O papel do educador enquanto facilitador da liberdade de aprendizagem para transformar socialmente os indivíduos não passa de uma intenção não concretizada na educação brasileira.

Em 1932 intelectuais brasileiros lançaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Reproduzo os parágrafos iniciais do texto escrito por Fernando de Azedo: “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação. Nem mesmo os de caráter econômico lhe podem disputar a primazia nos planos de reconstrução nacional”.

Nada mais atual. Em 1959, redigido também por Fernando de Azevedo foi lançado o segundo Manifesto, subscrito por 118 intelectuais, entre eles Anísio Teixeira, Júlio de Mesquita Filho, Luiz Gouveia Labouriau. Nesse documento consta: “A educação pública, por toda a parte, está sujeita a crises periódicas, mais ou menos graves, e a bruscos e passageiros eclipses. Ela atravessa, entre nós, agora, por causas conhecidas e outras por investigar, uma dessas fases atribuladas. O que se propõe, porém, para superar a crise que a aflige e tende a agravar-se, segundo todos os indícios, não são providências para resolvê-la, mas uma liberdade sem praias em que acabará por submergir toda a organização de ensino público que, desde os começos da república, se vem lentamente construindo e reconstruindo, peça por peça, através de dificuldades imensas”. Em 2010 foi lançado no Conselho Nacional de Educação o documento Carta-Compromisso: “Pela garantia do direito à educação de qualidade”, subscrito por 27 entidades que pode ser considerado como o terceiro Manifesto da Educação Nova.

A Carta-Compromisso foi entregue a todos os candidatos à Presidência da República e continha metas já demandadas nos Manifestos anteriores tais como: a) promoção da aprendizagem ao longo da vida, como direito assegurado pela Constituição Federal para todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos; b) universalização do atendimento da demanda por creche pública nos próximos 10 anos; c) superação do analfabetismo, especialmente entre os brasileiros e as brasileiras com mais de 15 anos de idade; d) estabelecimento de padrões mínimos de qualidade para todas as escolas brasileiras, reduzindo os atuais níveis de desigualdade.

A formula para conquistarmos a qualidade do ensino básico para todos é conhecida:

  1. Formar os professores do século XXI e valorizando seu trabalho;
  2. Revisão dos conteúdos e métodos pedagógicos, estimulando o exercício do pensar, a criatividade, a argumentação crítica e promovendo os valores e virtudes para conquistarmos uma sociedade justa e a conservação do planeta para as futuras gerações;
  3. Tornar a escola em um lugar agradável, lúdico e encantado. Se usarmos essa formula nos tornaremos uma verdadeira Pátria Educadora.

Temos que decidir agora qual país legaremos aos nossos descendentes. Se nada fizermos, seremos no futuro uma sociedade com graves injustiças sociais, com índices assustadores de violência, com total desrespeito ao próximo e outras mazelas amplificadas que temos no presente. Certamente seremos um país colonizado e explorado. O futuro da educação está em nossas mãos. A bandeira virtuosa é colocarmos a educação de uma vez por todas como a prioridade das prioridades.