O governo saiu derrotado da primeira batalha do impeachment. O plenário da Câmara aprovou, por 272 votos a 199, a composição da Comissão Especial do impeachment apresentada pelos dissidentes do governo e representantes da oposição. Essa comissão dará o parecer sobre a interrupção do mandato da presidente Dilma Rousseff. A lista inclui deputados do PSDB, PMDB, PP, PSD, PSB, PTB, SD, DEM, entre outras legendas menores.

Os votos obtidos pelo governo mostram que, a julgar por esta votação, a margem de segurança da presidente é de apenas 28 votos além do mínimo necessário (171) para evitar que o processo do impeachment seja aprovado (342 votos). Vale destacar que 41 deputados não participaram da votação.

Outro aspecto preocupante é que a lista apoiada pela oposição tem 39 nomes com perfil mais independente, que não necessariamente seguirão a orientação do governo. Esse grupo equivale a 60% dos 65 parlamentares da Comissão.

O resultado também é uma derrota para o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ). Agora, ele corre sério risco de ser destituído do cargo. Para o governo, uma consequência negativa, pois seu substituto terá, potencialmente, um perfil mais independente em relação ao Planalto.

O canal institucional de comunicação entre o Palácio e a bancada da Câmara fica comprometido e a palavra “derrota” associada ao governo será o carimbo que a mídia repetirá daqui até a próxima votação. Além disso, especula-se que o senador Delcídio do Amaral estaria próximo de fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Seu conteúdo poderá fragilizar ainda mais o governo.

A derrota veio na sequência da divulgação da carta do vice-presidente Michel Temer para a presidente Dilma Rousseff na qual ele diz que se sente desprestigiado e tratado como vice decorativo.

O resultado mostra que a situação do governo é delicada. No próximo dia 16, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar mandado de segurança impetrado pelo PT pedindo que a Corte defina o rito de tramitação do impeachment. O partido também pretende questionar a eleição de hoje.