A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) leva a crise política para um novo estágio, com implicações as estratégias da oposição. O PSDB, que chegou a flertar mais fortemente com a tese do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas depois recuou, deve utilizar a mudança na conjuntura para explorar ainda mais o desgaste do PT.

No curto prazo, a não ser que apareçam fatos novos mais comprometedores, o PSDB não deve retomar a tese do impeachment. A tendência é que os tucanos utilizem a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai e do senador Delcídio do Amaral para relacionar o governo Dilma, o ex-presidente Lula e o PT com o escândalo da Petrobras.

A posição do PSDB será continuar desgastando a imagem do governo e dos petistas para arrastar a crise política pelo maior tempo possível, a fim de lucrar politicamente com isso.

O foco imediato dos tucanos são as eleições municipais de 2016. Além de ampliar o número de conquistas de prefeituras, sobretudo nos grandes centros urbanos, o partido tentará impor uma grande derrota ao PT, talvez a maior de sua história.

Ao torcer pelo alongamento da crise política atual, o PSDB almeja inviabilizar o governo e qualquer chance de recuperação política do PT.

No entanto, o desafio dos tucanos continua sendo a construção de sua agenda. Embora a conjuntura favoreça a exploração do desgaste político do PT, o PSDB ainda não conseguiu fechar um discurso capaz de convencer o eleitorado de que é uma alternativa de poder natural aos petistas.