O presidente Jair Bolsonaro fala durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), no estádio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Na convenção nacional do PL oficializou neste domingo (24), no Rio de Janeiro, a chapa da reeleição do presidente Jair Bolsonaro, tendo como vice o ex-ministro da Defesa Braga Netto, o presidente convocou seus seguidores a irem às ruas “uma última vez” no 7 de Setembro.

Também voltou a atacar os ministros do STF. No Supremo, os ataques não surpreenderam ministros, que foram chamados de “surdos de capa preta”. No tribunal, não havia a expectativa de que o tema ficasse de fora do lançamento de candidatura do presidente, ontem, no Rio.

O Supremo Tribunal Federal julgou, em plenário processos contra os interesses do governo federal, ao menos 21 vezes desde a posse de Bolsonaro, em 2019. É o que alguns ministros apontam como causa da irritação de Bolsonaro

A única promessa eleitoral do presidente durante a convenção, realizada no ginásio do Maracanãzinho, foi estender para o ano que vem o pagamento do Auxílio Brasil a R$ 600, previsto originalmente para terminar em dezembro próximo. A promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro teria impacto de mais de R$ 50 bilhões e reduziria o espaço para outras despesas, como investimentos e custeio da máquina pública. Bolsonaro disse já ter conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que o reajuste do auxílio de R$ 400 para R$ 600, às vésperas da eleição, seja mantido em 2023.

Michelle Bolsonaro abriu a convenção com um discurso de tom religioso, voltado ao eleitorado feminino. “Falam que ele não gosta de mulheres. Ele foi o presidente na história que mais sancionou leis de proteção às mulheres”, disse ela, que citou passagens bíblicas e falou do sofrimento da família com a facada que Bolsonaro levou em 2018.

O núcleo político da campanha desaprovou o tom de confronto adotado pelo presidente, mas o grupo envolvido com o marketing da campanha celebrou a participação de Michelle. Um auxiliar do presidente classificou o discurso da primeira-dama como o “ponto alto” da convenção.

Bolsonaro citou duas vezes o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), como um de seus principais aliados durante a convenção nacional do PL. Lira foi recebido de forma fria pelos militantes presentes ao ginásio ao ser anunciado no palco do evento, antes da chegada de Bolsonaro, e recebeu vaias de parte do público ao ser mencionado pela primeira vez por Bolsonaro, como “grande aliado” de seu governo.

“Está aqui o presidente Arthur Lira. Um enorme aliado nosso, tem colaborado muito com o governo. Graças a ele conseguimos aprovar leis que puderam abaixar o preço dos combustíveis”, afirmou Bolsonaro no início de seu discurso, despertando aplausos apenas na última frase.

Os filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) faltaram à convenção que ratificou o nome do pai à disputa pela reeleição. Além deles, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, partido que integra a aliança eleitoral do Palácio do Planalto, também se esteve ausente, o mesmo ocorrendo com ministros com assento no Palácio do Planalto: o Chefe da Segurança Institucional, Augusto Heleno, o Secretário-geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, o da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e o da Economia, Paulo Guedes. As ausências chamaram a atenção.