Foto: Cris Fraga/Estadão Conteúdo

Desde que foi privatizada, em 13 de junho, as ações ordinárias da Eletrobras subiram 9,1% e as preferenciais classe B (PNB) tiveram alta de quase 14%, enquanto o Ibovespa caiu 5,89% nesse período. A privatização colocou a empresa em novo patamar, que se reflete na valorização de seus papeis. Analistas veem potencial de ganho de até 60% nas ações, com cortes de custos e ganhos de eficiência esperados na nova fase da companhia. 

Com valor de mercado superior a R$ 100 bilhões, a Eletrobras se coloca entre as dez maiores empresas do índice da B3 e analistas mostram-se otimistas. Estimam altas entre 50% e 60% no preço da ação em 12 meses. A expectativa é de que o pagamento de dividendos também fique maior. A União será o maior beneficiário, com o recebimento de dividendos, ou eventualmente na venda de sua participação, como já ocorreu no caso da ex-Petrobras Distribuidora, hoje Vibra. 

Após a privatização da ex-holding estatal do setor elétrico, o governo ficou com a fatia de 30,4% no capital da companhia. Considerando as participações do BNDES

e de seu braço de investimentos BNDESPar, o percentual chega a 34%. A União tem direito a veto em assuntos estratégicos com a ação especial, a chamada “golden share”, a exemplo do que ocorreu em outras desestatizações, como a da Vale. A criação dessa ação ocorreu durante a tramitação do processo de privatização no Congresso.

Mas o poder de voto do Estado (e de qualquer outro acionista) ficou limitado a 10% das ações da empresa, conforme o projeto aprovado pelo Legislativo. Também foram criadas medidas de proteção no estatuto da companhia, para evitar possível retomada de controle, a chamada “poison pill”. 

Por esse mecanismo, se um acionista quiser comprar uma fatia acima de 30% da empresa – e não a reduzir em até 120 dias, deverá ser feita oferta pública do restante dos papéis no valor 100% maior do que a maior cotação dos últimos 504 pregões. 

Se o percentual for superior a 50%, o preço de aquisição tem que ser 200% maior. Para o presidente da CVM, Marcelo Trindade, “a estrutura está bem feita. Foram usados mecanismos que temos no Brasil para tentar assegurar que esse capital ficará disperso”.

Em entrevista na semana passada, o presidente da empresa (que continuou no posto após a privatização), Rodrigo Limp, disse que a internacionalização é uma vocação natural para a empresa.

Limp foi diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica e seu nome é mencionado para prosseguir no cargo. Ele afirmou que a Eletrobras já conta com parques eólicos instalados no Uruguai e avalia que a empresa possa se tornar protagonista no processo de transição energética global.

Como a companhia tem expertise em energia renovável, com recursos privados, Limp afirma que ela terá fôlego financeiro para investir em novas fontes. Após a operação que levou à sua capitalização, e consequente privatização, a Eletrobras voltou a vencer um leilão de linhas de transmissão pela primeira vez após oito anos. No certame da Aneel, em 30 de junho, a empresa arrematou o lote de linhas de transmissão em Rondônia.

A Eletrobras anunciou que prevê eleger os novos membros do seu conselho de administração em assembleia geral extraordinária (AGE) prevista inicialmente para 5 de agosto. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários há duas semanas, observou que a data era provisória. Nos últimos dias, o nome de Wilson Ferreira Júnior, que comandou a empresa entre 2016 e 2021, voltou a ser especulado como novo presidente da companhia. Atualmente na Vibra (ex-Petrobras Distribuidora), Wilson Ferreira foi um dos responsáveis do processo de mudança e capitalização da ex-estatal.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).