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Haddad, Garcia e Tarcísio conquistam importantes apoios – Por Carlos Eduardo Borenstein

"Os apoios de Alckmin e França representam uma importante conquista para Haddad" escreve o cientista político Carlos Borenstein. Confira a análise

Os três principais players da disputa ao Palácio dos Bandeirantes – o governador Rodrigo Garcia (PSDB), o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) – conquistaram importantes apoios na semana passada.

Tarcísio de Freitas conquistou o apoio do PSD, que indicou o ex-prefeito de São José dos Campos (SP) Felício Ramuth como seu vice. O PSD, que decidiu pelo apoio a Tarcísio, era também cobiçado por Fernando Haddad.

Com o apoio do PSD, Tarcísio de Freitas avança sobre o centro. Trata-se de um movimento importante para os objetivos eleitores do ex-ministro, já que sua candidatura é identificada com o presidente Jair Bolsonaro (PL). Mais do que isso, o vice indicado pelo PSD, Felício Ramuth, construiu sua trajetória política no PSDB, tendo migrado para o PSD somente em abril. Assim, Ramuth pode ser um player importante para Tarcísio conquistar votos ao centro.

Atento à movimentação de seu principal oponente no quadrante da centro-direita do tabuleiro, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) recebeu o apoio do União Brasil. Em contrapartida a esse apoio, Garcia apoiará o deputado federal Luciano Bivar (União Brasil) na disputa ao Palácio do Planalto.

No entanto, Garcia terá que gerenciar quem será seu vice. Inicialmente, o nome indicado seria o ex-secretário da Saúde da capital paulista Edson Aparecido (MDB). Porém, a partir da aliança com o União Brasil, a indicação do vice não deve partir do MDB, mas sim do União Brasil.

Dois nomes despontam como alternativas de vice para Rodrigo Garcia: o ex-secretário da Fazenda Henrique Meirelles (União Brasil) e o deputado federal Heni Ozi Cukier (Podemos).

No xadrez da coligação tucana, a maior do Estado, o Podemos e até o ex-governador João Doria (PSDB) atuam nos bastidores para indicar o candidato ao Senado. Doria defende o nome de seu ex-secretário da Fazenda Henrique Meirelles (União Brasil), e o Podemos quer emplacar o deputado Heni Ozi Cukier.

Com o apoio do União Brasil, a expectativa é que Garcia tenha o maior tempo de TV: 4 minutos e 10 segundos. Tarcísio de Freitas, por sua vez, teria 2 minutos e 23 segundos. E Fernando Haddad contaria com um palanque eletrônico de 2 minutos e 8 segundos.

Quem também recebeu um importante apoio foi Fernando Haddad. Após meses de negociações, o ex-prefeito recebeu o apoio do ex-governador Márcio França (PSB), que concorrerá ao Senado na chapa de Haddad.

Embora a aliança de Fernando Haddad esteja restrita aos partidos de esquerda até agora – PT, PSB, PCdoB, PSOL, PV e Rede – ele contará com três cabos eleitorais de peso: o ex-presidente Lula (PT), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) e o ex-governador Márcio França (PSB).

Os apoios de Alckmin e França representam uma importante conquista para Haddad, pois os dois ex-governadores eram, até pouco tempo, adversários do PT no estado.

Tendo Márcio França como candidato a senador, que foi um dos fiadores da construção da aliança nacional entre Lula e Alckmin, Fernando Haddad deverá apostar na nacionalização do debate estadual, pois o objetivo é que Alckmin e França atuem como cabos eleitorais para quebrar as resistências ao PT em SP, principalmente no interior, onde o sentimento antipetista é mais forte.

Outro aspecto importante dessa composição é que Márcio França larga, principalmente após a desistência de José Luiz Datena (PSC), como o favorito na disputa ao Senado. Enquanto França deve atrair o voto de esquerda e de parte do centro, já que o PSDB não deve ter candidato a senador, e a direita bolsonarista está dividida entre o ex-presidente da FIESP Paulo Skaf (Republicanos), a deputada federal Carla Zambelli (PL) e a deputada estadual Janaína Paschoal (União Brasil).

Com a saída de Márcio França da disputa ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad, Tarcísio de Freitas e Rodrigo Garcia disputarão duas vagas no segundo turno. Ao que tudo indica, uma das vagas será a Haddad. Seu adversário deve sair do embate entre Garcia e Tarcísio, que promete ser bastante acirrado.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".