Foto: (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O modelo de geração de energia distribuída vem experimentando forte expansão nos últimos anos. O modelo caracteriza-se pela existência de centrais de pequeno porte que geram energia elétrica a partir de fontes renováveis conectadas à rede de distribuição por instalações de unidades consumidoras. 

Nessa categoria estão classificados os painéis fotovoltaicos instalados em telhados que geram energia para atender a residências a partir da luz solar. Esse modelo de geração tem evoluído de maneira consistente, com crescimento de mais de 80% nos últimos 12 meses. 

Em maio, chegou a mais de 11 GW de capacidade instalada, ou seja, quase 6% da capacidade de geração de energia elétrica no país. O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública para colher contribuições para normas relativas a custos e benefícios da microgeração e minigeração distribuída.

Reservatórios tranquilizam

O país atravessa a melhor situação nos reservatórios das hidrelétricas desde 2012. A previsão é de que, durante o período seco deste ano, os reservatórios das hidrelétricas deverão estar com níveis médios de armazenagem de água, isto é, entre 40% e 50%.

Esse nível contrasta com a taxa de 17% no mesmo período do ano passado, conforme dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), divulgados pelo jornal Estadão na sexta-feira (01). No ano passado o Brasil enfrentou o pior período de seca em 90 anos.

Segundo o diretor-geral do ONS, Luiz Ciocchi, “a tranquilidade” este ano não decorreu apenas do maior volume chuvas, mas também de uma melhor gestão da vazão em algumas usinas. “Desde 2012, não havia situação tão confortável como temos agora, e não é por chuva excepcional. A chuva foi boa no tempo chuvoso, toda a estação úmida que começou no ano passado veio na hora certa, enquanto em 2020-2021 atrasou bastante”, explicou.

No ano passado, as termelétricas chegaram a significar metade da geração de energia do país, a um custo mais elevado. Este ano serão pouco usadas. No momento, mesmo em pleno período seco, respondem por pouco mais de 14% do total gerado. O controle de vazão concentrou-se nas bacias do Rio Grande (entre Minas Gerais e São Paulo) e do rio Paraná (entre São Paulo/Paraná com Mato Grosso do Sul), consideradas a “caixa d’água do Brasil”. 

Para Ciocchi, a usina de Furnas, o maior reservatório do país, no sul de Minas, chegou a atingir 80% do volume total. A partir de agora, e até novembro, início do período chuvoso, começa a perder volume. Em São Paulo, as usinas de Jupiá e porto Primavera (no rio Paraná) também reduziram a vazão para poupar água para o período seco, após discussões com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), ainda segundo o diretor-geral do ONS.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).