O governador Rodrigo Garcia (PSDB) e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) travam duelo por uma fatia similar do eleitorado, localizado do centro para a direita do tabuleiro.

Nesse embate, ambos têm lançado-mão da campanha negativa. Garcia tem procurado mostrar obras de infraestrutura do governo federal que ficaram pelo caminho, enquanto Tarcísio pretende recuperar os escândalos de corrupção de gestões do PSDB em São Paulo (SP).

Apesar de disputarem um grupo parecido de eleitores, Rodrigo Garcia e Tarcísio de Freitas adotam estratégias diferentes. O governador tem feito acenos ao eleitor bolsonarista com endurecimento do discurso na área da Segurança Pública, mas descarta se vincular ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Já o ex-ministro tem a intenção de explorar a imagem de Bolsonaro.

O entorno de Garcia acredita que é possível conquistar uma fatia do eleitorado que hoje está com o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que lidera as pesquisas. Sondagens analisadas pela campanha mostram que parte dos paulistas que avaliam bem a gestão estadual tem intenção de votar em Haddad.

Mesmo assim, as sinalizações ao eleitorado que se identifica com as pautas conservadoras devem prosseguir. Logo depois de receber o governo de João Doria (PSDB), em abril, Garcia trocou o comando das polícias. No mês passado, o governador disse “que bandido que levantar a arma levará bala” no estado. Recentemente, liberou pagamentos de bônus a policiais. O tucano tem propagado ainda a compra de armas e equipamentos para as Forças de Segurança do estado.

Já Tarcísio explorar os desgastes dos últimos governos paulistas e argumentar que o PSDB e o PT são faces da mesma moeda, já que as soluções das administrações de ambos resultaram em casos de corrupção. A ideia de associar o PSDB ao PT será reforçada com o exemplo da ida do ex-governador Geraldo Alckmin ao PSB para ser vice na chapa do ex-presidente Lula (PT).

Em relação a Bolsonaro, os aliados de Tarcísio planejam dosar o uso da imagem do presidente. O ex-ministro quer se mostrar como um técnico moderado que serviu a outras gestões. Ele foi diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e atuou na Secretaria de Parceria de Investimentos na gestão Michel Temer (MDB).

Por outro lado, Garcia quer se desvincular de Doria, de quem foi vice. Eles mantêm diálogos nos bastidores, mas não devem fazer aparições públicas juntos na campanha em razão da rejeição do antecessor nas pesquisas de opinião.

Na ofensiva contra Tarcísio, o governador tem explorado que, na renovação da concessão da Via Dutra, o pedágio do trecho fluminense sofreu um abatimento maior do que no trecho paulista.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".