Bomba de combustível. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Diante de mais um aumento no preço dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL) encontra dificuldades para combater a inflação, principal obstáculo a seus planos de reeleição. O mandatário tem visto pouco ou quase nenhum efeito prático das medidas e dos projetos anunciados para conter a pressão sobre os preços, sejam eles nas prateleiras ou nas bombas, o que aumenta a especulação sobre como isso pode refletir no pleito de outubro.

Hoje, as diferentes pesquisas de intenção de voto apresentam oscilações que variam de 6% a 20% na diferença entre o ex-presidente Lula (PT) e Bolsonaro, líderes na corrida presidencial. Em todas, no entanto, Lula aparece na frente. Até aqui, a maioria dos levantamentos aponta um segundo turno como o cenário mais provável. Mas a possibilidade de muitos eleitores adotarem o voto útil no primeiro turno preocupa principalmente o entorno do presidente, que teme que todo o esforço empenhado para solucionar a crise seja em vão.

Mesmo que Bolsonaro afirme não acreditar no resultado das pesquisas, são elas que têm pautado a sua campanha, focada, ultimamente, em atrair as mulheres, os jovens e os mais pobres – todos eleitores preferenciais do ex-presidente Lula. Uma das medidas urgentes é a tentativa de substituir os 18 milhões de cartões do Bolsa Família (benefício criado no governo Lula) pelos do Auxílio Brasil, programa repaginado no atual governo. A ideia é tentar associar o benefício ao governo Bolsonaro e, com isso, atrair votos entre o público mais pobre.

Na mais recente pesquisa publicada pela FSB, 64% dos beneficiários do Auxílio afirmam apoiar Lula, enquanto 21% dizem votar em Bolsonaro. No mesmo levantamento, 55% dos eleitores disseram ter deixado de consumir carne vermelha por conta da alta dos preços, enquanto 44% optaram por não comprar combustível. O atraso no pagamento de pelo menos uma conta também foi apontado por 55% dos entrevistados. A inflação e seus efeitos, mais uma vez, escancaram a sangria desatada em 2022.

O tamanho do problema inflacionário levou o presidente a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os lucros da Petrobras. Em outras palavras, o governo agora se lança contra o próprio governo, já que a maior parte da estatal pertence à União. Trata-se de mais um gesto de Bolsonaro direcionado para a campanha eleitoral, já que o temor é de que o eleitor traduza suas dificuldades financeiras nas urnas.

Autor

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.