Haddad
Foto Paulo Pinto/Agencia PT

A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes continua sem favoritos e pulverizada entre quatro pré-candidatos com potencial eleitoral: o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-governador Márcio França (PSB) e o governador Rodrigo Garcia (PSDB).

Segundo a pesquisa Exame/Ideia Big Data divulgada na semana passada, Haddad lidera os dois cenários testados. No entanto, Haddad larga com uma intenção de voto relativamente baixa, restrita a fatia do eleitorado – cerca de 1/3 – que historicamente vota no PT. Apesar desse teto de Haddad, o ex-prefeito tem boas chances de estar no segundo turno, já que terá o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) como cabos eleitorais. Uma incógnita neste complexo tabuleiro envolve Márcio França (PSB). Embora siga postado como pré-candidato, é possível que Márcio desista de concorrer novamente a governador para disputar o Senado na chapa de Haddad.

CANDIDATOS CENÁRIO 1 (%) CENÁRIO 2 (%)
Fernando Haddad (PT) 27 31
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 17 17
Márcio França (PSB) 14
Rodrigo Garcia (PSDB) 11 14
Felicio Ramuth (PSD) 1 1
Vinicius Poit (NOVO) 1 2
Elvis Cezar (PDT) 1 1
Outros 0,8 0,9
Brancos/Nulos/Indecisos 27 31

*Fonte: Exame/Ideia Big Data (03 a 08/06)

Conforme podemos observar na tabela acima, sem a presença de França na disputa, seus votos se pulverizam. Embora Haddad e Garcia ganhem pontos, também cresce o percentual de eleitores “sem candidato” (brancos, nulos e indecisos).

Caso Márcio França não concorra, a tendência é que Fernando Haddad esteja no segundo turno. Neste cenário, conforme mostra a pesquisa, Tarcísio de Freitas e Rodrigo Garcia devem travar uma acirrada disputa. Hoje, em função da margem de erro – 3 pontos percentuais para mais ou para menos – o ex-ministro e o governador aparecem tecnicamente empatados.

Além da questão Márcio França, também é possível observar muitos votos em disputa, já que brancos, nulos e indecisos concentram cerca de 1/3 do eleitorado.

A Exame/Ideia Big Data realizou cinco simulações de segundo turno. Assim como ocorre nos dois cenários testados de primeiro turno, observamos uma disputa acirrada. Hoje, Fernando Haddad venceria apenas Rodrigo Garcia. Contra Tarcísio de Freitas ou Márcio França, Haddad fica em situação de empate técnico. Tarcísio, que empata com Haddad, também aparece em igualdade de condições com França num eventual segundo turno. E Márcio França, por sua vez, vence Garcia e empata com Haddad e Tarcísio.

CANDIDATOS CENÁRIO 1 (%) CENÁRIO 2 (%) CENÁRIO 3 (%) CENÁRIO 4 (%) CENÁRIO 5 (%)
Fernando Haddad (PT) 38 36 34
Rodrigo Garcia (PSDB) 29 33
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 31 33
Márcio França (PSB) 34 37 38
Brancos/Nulos/Indecisos 34 33 32 30 29

*Fonte: Exame/Ideia Big Data (03 a 08/06)

A partir dos números mostrados pelo levantamento, observamos que Fernando Haddad deve ter um segundo turno difícil pela frente. Além de ser o pré-candidato mais rejeitado (35%), sua intenção de voto no segundo turno fica um pouco acima do padrão histórico do PT.

Outro aspecto que chama atenção nas simulações de segundo turno é a competitividade de Tarcísio de Freitas, que mesmo sendo pouco conhecido, já figura em situação de empate técnico com Haddad.

Esse teto de Fernando Haddad poderá levar o PT a reavaliar o cenário eleitoral. De acordo com uma matéria divulgada pelo Poder360 na última sexta-feira (10), poderia ocorrer o seguinte acordo em SP: Haddad seria candidato a senador, Márcio França concorreria a governador e seu vice seria o ex-prefeito de São José dos Campos (SP) Felício Ramuth (PSD).

Pelos números mostrados pela pesquisa, França é mais competitivo que Haddad, pois dispõem de uma rejeição mais baixa (21% contra 35%). Além disso, Márcio França é identificado como principal adversário do ex-governador João Doria (PSDB), que é aliado de Rodrigo Garcia.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".