O presidente do PSDB, Bruno Araújo, durante evento de comemoração aos 20 anos do PSDB-Mulher na Câmara dos Deputados. Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados/ 30.05.2019

Um dos partidos mais presentes na história da política brasileira desde a redemocratização pode, pela primeira vez, vir a assistir à corrida presidencial como espectador. Criado em 1988, o PSDB concorreu a todas as eleições ao Palácio do Planalto e realizou um feito histórico quando se tornou o único partido a vencer o pleito em primeiro turno – o que aconteceu em 1994 e 1998, com FHC.

Competitiva, a sigla esteve em quatro disputas no segundo turno: em 2002, 2006, 2010 e 2014. Em 2018, sua pior campanha, amargou 4,76% dos votos válidos. Em 2022, nos anais do partido deve-se destacar a maior crise da legenda. João Doria, até então o nome do PSDB, foi rifado por boa parte do tucanato, após um investimento de R$ 11 milhões nas prévias que o escolheram. Sem saída, ele jogou a toalha.

Rachado, seja em torno de nomes, ideias ou caminhos a seguir, o PSDB terá de, nos próximos dias, decidir um rumo. Uma das saídas é apoiar a senadora Simone Tebet, candidata pelo MDB. Parlamentares ouvidos pelo Brasilianista avaliam que, hoje, esse é o caminho mais provável no tucanato. A percepção é de que a aliança não atrapalharia as candidaturas estaduais, já que Simone, ao contrário de Doria, não apresenta rejeição alta nas pesquisas, o que, em tese, não complicaria a candidatura dos parlamentares.

Além disso, mesmo que apoie Simone formalmente, o PSDB não pretende despender recursos para isso, o que permitiria destinar mais dinheiro do fundo à campanha de deputados e senadores. Há ainda uma ala do partido que passou a defender que esse apoio seja condicionado à performance da senadora. Ou seja, caso Simone não decole até as convenções partidárias, o PSDB estaria fora.

Mas há um movimento interno para que o PSDB lance, sim, um nome ao Palácio do Planalto. O ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite e o senador Tasso Jereissati são os mais cotados. A ala liderada por Aécio Neves insiste na candidatura do gaúcho, embora Leite já tenha indicado que pretende investir na disputa estadual – projeto que ganhou força após ser acusado de tentar ocupar o posto que pertencia a João Doria como pré-candidato.

Exatamente para evitar novos problemas, outra parte do PSDB aposta na serenidade que a candidatura do senador Tasso Jereissati poderia representar nas eleições. Sem estimular uma nova crise interna, o partido manteria a tradição de levar um candidato presidencial às urnas. Sabe-se que não há chances de se repetirem os bons feitos do passado, mas se evitaria esse ponto de inflexão na história dos tucanos.

Autor

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.