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A pesquisa XP/Ipespe divulgada hoje (27) aponta que a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) se fortaleceu. Lula lidera com 45% das intenções de voto. Bolsonaro registra 34%. Em relação à sondagem da semana passada, Lula oscilou um ponto para cima (44% para 45%) enquanto Bolsonaro subiu dois pontos (32% para 34%). As oscilações de Lula e Bolsonaro estão dentro da margem de erro de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

O terceiro colocado é o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 8%. A senadora Simone Tebet (MDB) registra 3%. O ex-governador João Doria (PSDB-SP), que no levantamento do Ipespe ainda constava como pré-candidato, obteve 2%, mesmo percentual do deputado federal André Janones (Avante). Brancos, nulos e indecisos somam 5%.

Interessante observar na pesquisa que, comparado a março deste ano, Bolsonaro cresceu oito pontos percentuais (26% para 34%) enquanto Lula ganhou um ponto nesse período (44% para 45%). Desde março, Ciro também ganhou um ponto (7% para 8%) e Simone Tebet conseguiu melhorar seu desempenho, passando de 1% para 3%.

Mesmo com a saída de João Doria – e a provável definição de Simone Tebet como a candidata da terceira via – a polarização entre Lula e Bolsonaro não é ameaçada. Neste momento, Lula e Bolsonaro concentram, no cenário estimulado, 79% das intenções de voto. A terceira via, por outro lado, tem apenas 15%.

Cenário similar ocorre no voto espontâneo. Lula (40%) e Bolsonaro (30%) concentram 70% das intenções de voto. Ciro Gomes aparece com apenas 4%. Brancos, nulos e indecisos somam 23%.

Considerando apenas os votos válidos, neste momento, Lula teria 47,87% dos votos válidos. Como a margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, há uma indefinição se a eleição terá um ou dois turnos. Neste sentido, tende a crescer a pressão do PT para que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) desista. No entanto, a tendência hoje indica que Ciro deve manter sua pré-candidatura. Apesar de matematicamente ser possível Lula vencer em primeiro turno, o cenário-base continua sendo o segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

De acordo com o Ipespe, num eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 53% a 35%. Na simulação de segundo turno, observamos uma tendência similar à registrada na intenção de voto estimulada de primeiro turno. Ou seja, desde março, Lula ficou estável em 53% enquanto Bolsonaro cresceu quatro pontos (31% para 35%).

O principal obstáculo para Bolsonaro no segundo turno continua sendo a alta rejeição (59%), a maior entre os pré-candidatos. O segundo mais rejeitado é Lula (43%) seguido por Ciro (41%) e Simone Tebet (34%). A rejeição de Bolsonaro decorre, fundamentalmente, do cenário econômico, sobretudo pela alta inflação.