Lula e Bolsonaro

A pesquisa Ipespe sobre a sucessão divulgada hoje (13) mostra um cenário de estabilidade. O ex-presidente Lula (PT) lidera com 44% das intenções de voto, mesmo índice registrado na semana passada. O presidente Jair Bolsonaro (PL) é o segundo colocado com 32%, tendo oscilado positivamente um ponto em relação a última semana. A oscilação está dentro da margem de erro de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Na terceira posição aparece o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 8%. O ex-governador João Doria (PSDB) tem 3%. O deputado federal André Janones (Avante) aparece com 2%. E a senadora Simone Tebet (MDB) tem 1%. Brancos, nulos e indecisos somam 10%.

Apesar da liderança de Lula, em relação a semana passada, a distância entre ele e Bolsonaro caiu de 13 para 12 pontos percentuais. Outro aspecto a ser registrado é que, desde março, Bolsonaro ganhou seis pontos (26% para 32%) enquanto Lula ficou estável em 44%. Ou seja, nos últimos dois meses, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro caiu seis pontos. Porém, há sinais de que a recuperação do presidente perdeu fôlego na última semana, já que a oscilação positiva registrada está dentro da margem de erro.

A estabilidade da sucessão também é observada na menção espontânea. Lula tem 39%, o que representa uma oscilação de 1 ponto em relação ao levantamento anterior, enquanto Bolsonaro ficou estável em 29%. Nota-se que na espontânea a distância entre eles é um pouco menor: 10 pontos percentuais. O nome mais bem postado da terceira via é Ciro Gomes (PDT), que registra apenas 3%. Brancos, nulos e indecisos somam 26%.

Na simulação de segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 54% a 35%. Na semana passada, Lula tinha 54% e Bolsonaro 34%. Vale registrar que, em relação a março, a vantagem de Lula caiu de 23 para 19 pontos.

O principal obstáculo de Bolsonaro neste momento – e a principal força de Lula – é a avaliação negativa da economia. De acordo com o Ipespe, 62% dos entrevistados avaliam que a economia está “no caminho errado”. Por outro lado, 33% entendem que a economia está “no caminho certo”. Esta avaliação é consequência, principalmente, do aumento da inflação. Segundo 77% dos entrevistados, a percepção da inflação aumentou muito nos últimos meses.

Além disso, para 26%, a inflação é o principal assunto a ser tratado pelo próximo presidente. Em relação a outubro do ano passado, por exemplo, o tema a preocupação com “a inflação e o custo de vida” cresceu oito pontos, superando inclusive o desemprego (15%), saúde (15%) e a fome/miséria (7%).

Outro aspecto interessante da sondagem é que, de acordo com o Ipespe, 49% dos entrevistados citam temas econômicos – inflação, desemprego, fome/miséria e salários – como os temas mais importantes a serem tratados pelo próximo presidente. Esta percepção negativa por parte da opinião pública em relação a economia faz com que Bolsonaro seja o candidato mais rejeitado neste momento (59%), superando Doria (55%), Lula (43%) e Ciro (42%).