Boeing 787. Foto: Dave Sizer/Flickr

Desde sua fundação em 1916, a Boeing era sediada em Seattle, onde permaneceu até 2001, quando se mudou para Chicago. Em seu auge, a empresa era conhecida como um centro de engenharia que fabricava os melhores e mais seguros aviões. Mas muitos analistas da indústria sentiram que a reputação foi perdida quando a Boeing começou a priorizar os resultados financeiros, e eles apontam para a decisão de 2001 como um marco dessa transformação de ideologia.

Na quinta-feira, 5 de maio, a empresa anunciou que se mudará mais uma vez, desta vez para Arlington, Virgínia. A nota foi bastante criticada por profissionais da área. Ao se aproximar tanto do Pentágono quanto do Congresso, a Boeing parece sinalizar que perdeu a corrida comercial para a Airbus e agora quer ser vista principalmente como uma empreiteira de defesa e espaço.

O fato de o anúncio vir na mesma semana em que a Airbus (EADSF) revelou que está aumentando a produção de jatos comerciais em sua fábrica em Mobile, Alabama, reforça esse ponto. A Boeing disse em um comunicado à imprensa que a mudança para Arlington foi projetada para aproximar a empresa de seus “clientes e partes interessadas, e seu acesso a engenharia e talento técnico de classe mundial”.

Desde sua mudança para Chicago em 2001, os problemas de engenharia e qualidade da Boeing representaram grandes desafios para a empresa. As quedas de dois jatos 737 Max que mataram todas as 346 pessoas a bordo levaram a um bloqueio do uso do avião por 20 meses. Foi um dos erros corporativos mais caros da história, custando à Boeing mais de US$ 20 bilhões. 

Embora o Max esteja de volta ao ar transportando passageiros na maioria dos mercados ao redor do mundo, um problema mais sério persiste: a Boeing ficou bem atrás da Airbus em vendas e entregas de aviões comerciais, principalmente entre jatos de corredor único.

Aproximar-se do Pentágono e do Congresso pode ajudar a Boeing em seus negócios de defesa e espaço, mas, mesmo nesses campos, ela terá de competir com outros grandes contratados de defesa como Lockheed (LMT) e Raytheon (RTN), bem como empresas espaciais iniciantes, como a SpaceX.

Além disso, a mudança para o subúrbio de DC pode não trazer muitos benefícios à Boeing. A empresa já tem cerca de 100 lobistas e um orçamento de lobby de US$ 13,4 milhões por ano, o quinto maior número de qualquer empresa individual, de acordo com o site Open Secrets do Center for Responsive Politics, que monitora o lobby.

No entanto, além do Max e da pandemia, a Boeing também tem outros problemas para resolver. Problemas de controle de qualidade com seu widebody 787 Dreamliner forçaram um adiamento da entrega por quase um ano. E problemas de certificação para seu mais novo widebody, o 777X, adiaram sua primeira entrega planejada da versão de passageiros para pelo menos 2025.

Enquanto isso, as tentativas da Boeing de resolver todos os seus problemas com o Max, o 777X e o Dreamliner tiraram tempo e atenção de seu plano original de criar um novo jato de corredor único de longo alcance para competir com o Airbus A321XLR.