Foto: Alexssandro Loyola

O ex-governador Geraldo Alckmin anunciou, através de suas redes sociais, na sexta-feira passada (18), que irá se filiar ao PSB. Com isso, cresce a possibilidade de Alckmin ser o vice na chapa do ex-presidente Lula (PT).

Alckmin postou no Twitter que “o tempo da mudança chegou! Depois de conversar muito e ouvir muito eu decidi caminhar com o Partido Socialista Brasileiro – PSB. O momento exige grandeza política, espírito público e união”, escreveu o ex-tucano.

Ao compartilhar a notícia da filiação, Alckmin citou o ex-governador de Pernambuco (PE) Eduardo Campos (PSB), que faleceu durante um trágico acidente aéreo na campanha de 2014, quando disputava o Palácio do Planalto. Num aceno a Eduardo, postou uma frase do ex-governador que ficou marcada: “Não vamos desistir do Brasil”.

A expectativa é que Geraldo Alckmin assine sua filiação ao PSB na próxima quarta-feira (23). Também devem se filiar ao partido juntamente com Alckmin o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, que deixou o PSDB; o advogado e influencer Augusto de Arruda Botelho; e o senador Dario Berger (SC), que recentemente se desfiliou do MDB.

Também devem se filiar ao PSB o ex-deputado estadual e ex-presidente do PSDB Pedro Tobias, os ex-deputados federais Silvio Torres e Floriano Pesaro e o ex-prefeito de Sorocaba Antonio Carlos Pannunzio, além do sociólogo Fernando Guimarães, que liderou a corrente Esquerda para Valer no PSDB.

O ingresso de Alckmin no PSB, com sua provável escolha como vice de Lula, atende ao objetivo estratégico traçado pelo ex-presidente. Tendo Alckmin de vice, Lula tenta sinalizar que está caminhando para o centro. A chapa Lula-Alckmin também visa construir uma frente ampla anti-Bolsonaro, tentando atrair outros segmentos de centro que, mesmo não sendo ideologicamente de esquerda, rejeitam o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além de mexer no cenário nacional, a filiação de Geraldo Alckmin ao PSB terá repercussões em São Paulo (SP). Hoje, a esquerda tem três pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes: o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-governador Márcio França (PSB) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL).

Lula trabalhará juntamente com Alckmin para tentar unir o campo progressista na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. Não será uma tarefa fácil, pois o PT não abre mão da candidatura de Haddad. França também mostra resistência em recuar. E Boulos e o PSOL são críticos da aliança Lula-Alckmin.

A partir do anúncio da chapa Lula e Alckmin, que poderá ocorrer ainda neste mês, o foco das articulações deve ser o palanque em SP. Lula e o PT entendem que, a partir da aliança nacional Lula-Alckmin, e uma eventual unidade de Márcio França e Guilherme Boulos em torno de Fernando Haddad, o PT poderia eleger o governador de SP, o que nunca ocorreu.

Tendo Geraldo Alckmin como avalista dessa construção, o PT quer reproduzir em torno de Haddad a mesma ideia de frente ampla e a construção de uma aliança antibolsonarista em SP. É por isso que setores do PT preferem enfrentar o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) por entenderem que, ao nacionalizarem a disputa estadual, podem levar vantagem.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".