Jair Bolsonaro observa o ministro da Infraestrutura,Tarcisio Gomes de Freitas. Foto: Julio Nascimento/PR

Os palanques são uma variável importante na corrida sucessória, pois os candidatos a governador, sobretudo os competitivos, enquanto se beneficiam da associação com os presidenciáveis, também são atores fundamentais na disputa pelo Palácio do Planalto.

Neste momento, no Sudeste, Jair Bolsonaro leva vantagem sobre seus adversários em termos de palanques, porque possui candidatos a governador definidos e com disposição de apoiá-lo. É o caso de Tarcísio de Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ) e, talvez, Romeu Zema (MG). Ele tende a contar ainda com Carlos Manato (ES), caso o ex-deputado saia candidato.

Apesar da indefinição de seus palanques no Sudeste, Lula contará com o apoio de importantes candidatos a governador. Esses apoios ainda não estão firmados por conta das negociações entre PT e PSB em torno da criação de uma federação de esquerda. Porém, existe a possibilidade de Lula ter mais de um palanque em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, caso petistas e socialistas não fechem acordo em torno da federação.

Ainda que Moro e Ciro sejam os nomes da terceira via com maior densidade eleitoral no momento, ambos têm palanques fracos na maior região do país. No caso de Moro, ele tem palanque apenas em São Paulo. Mesmo assim, é um palanque fraco. Ciro, por sua vez, pode ter um bom palanque no Rio de Janeiro, mas, nos demais colégios eleitorais do Sudeste, está sem candidato a governador apoiando-o.

João Doria, por sua vez, conta apenas com o palanque de Rodrigo Garcia em São Paulo. Nos demais estados do Sudeste está sem palanque.

O Sudeste será uma região decisiva na sucessão presidencial, principalmente para os interesses de Bolsonaro e da terceira via. Como existe a expectativa de que Lula possa fazer mais de 50% dos votos válidos no Nordeste, a segunda região mais populosa do país, é fundamental que Bolsonaro e a terceira via tenham um bom desempenho no Sudeste, para compensar a desvantagem que terão no Nordeste.

No Sudeste, dois estados costumam concentrar as atenções dos candidatos. São eles: São Paulo, por ser o maior estado do país; e Minas Gerais, que, além de ser o segundo maior colégio eleitoral em número de eleitores, carrega um histórico com grande peso simbólico: quem vence em Minas sempre acaba se elegendo presidente. Na sucessão deste ano, o Rio de Janeiro também terá esse peso nacional, pois o estado é o reduto político do presidente Jair Bolsonaro.

Como estão os palanques em cada estado

Em São Paulo, o palanque do presidente Jair Bolsonaro (PL) terá o apoio do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que deve se filiar ao PL para concorrer a governador. O ex-presidente Lula (PT) tem um palanque dividido, já que três potenciais candidatos a governador podem apoiá-lo: o ex-prefeito Fernando Haddad (PT); o ex-governador Márcio França (PSB); e Guilherme Boulos (PSOL).

O governador João Doria (PSDB) contará com o palanque do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que assumirá o governo após a desincompatibilização de Doria para concorrer à Presidência. O ex-ministro Sergio Moro (Podemos) teria o palanque do deputado estadual Arthur do Val (Podemos). O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB) ainda não têm palanques.

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo), que em 2018 fez uma campanha muito associada a Bolsonaro, deve evitar uma ligação tão explícita com o bolsonarismo. Seu potencial adversário, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), anunciou recentemente que sobe em qualquer palanque, à exceção de palanque de Bolsonaro. No entanto, neste momento, nenhum dos principais presidenciáveis conta com um palanque definido.

No Rio de Janeiro, a situação é parecida com a de São Paulo. Jair Bolsonaro contará com o palanque do governador Cláudio Castro (PL). Lula tem hoje o palanque do deputado federal Marcelo Freixo (PSB). Após a aliança entre PDT e PSD, que ainda não definiu seu candidato ao governo do estado, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) passou a contar com um palanque no estado fluminense. Doria, Moro e Simone não possuem palanque definido no estado.

No Espírito Santo, o quadro também é de indefinição. O governador Renato Casagrande (PSB) poderá ser o palanque de Lula, mas isso ainda não está sacramentado. Caso Casagrande não apoie Lula, o palanque do ex-presidente poderá ser o do senador Fabiano Contarato (PT). Bolsonaro poderá ter o palanque do ex-deputado federal Carlos Manato (Sem partido), caso ele concorra. Os demais presidenciáveis ainda não têm palanque definido.