Fachada do Palácio do Planalto. Foto: Pedro França/Agência Senado

Depois que o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) abriu mão da liderança do governo, em dezembro do ano passado, em virtude da amarga derrota na disputa pela vaga de ministro do Tribunal de Contas da União, o Palácio do Planalto tem tido dificuldades em encontrar um substituto.

O objetivo é achar um aliado de primeira hora que esteja disponível para o cargo, critério onde poucos se encaixam. Isso porque uma parte dos que estão na tropa de choque do governo irá se candidatar à reeleição ou se lançar ao governo dos respectivos estados. Como é o caso dos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Jorginho Mello (PL-SC). O ambiente na casa comandada por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ainda é conhecido por ser menos favorável aos temas prioritários do governo, que tem uma base mais enxuta no Senado.

A alternativa tem sido usar esses aliados como líderes informais. Além dos citados, o governo conta com o líder no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e com a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), vice-líder do governo. Ela é autora de duas emendas solicitadas pelo Planalto aos projetos que tratam sobre combustíveis. Essa atuação informal, no entanto, tem limitações. Na primeira semana de fevereiro, a Comissão de Direitos Humanos aprovou, sem dificuldades, a convocação de dois ministros do governo Bolsonaro para explicarem suas posições sobre a vacina infantil.

Esses e outros acontecimentos demonstram que a ausência de um líder é cada vez mais sentida e solicitada, até mesmo pelos opositores de Jair Bolsonaro. Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), por exemplo, o projeto que trata sobre a privatização dos Correios não tem previsão para ser pautado. O presidente da CAE, Otto Alencar (PSD-BA), reconhece que sem um líder fica cada vez mais difícil negociar e chegar a uma solução para a matéria, uma das prioridades da equipe econômica. “No ano passado não tinha quórum. O governo pediu pra tirar o projeto da pauta. Agora, não tem nem previsão”, declarou o senador.

A dificuldade em dar celeridade a esse e outros projetos, como a reforma do Imposto de Renda, ou até mesmo em sabatinar indicados pelo governo, como nomes para diretorias do Banco Central, expõe ainda mais o prejuízo que a falta de um líder provoca. O senador Flavio Bolsonaro minimizou esses impactos, mas reconheceu a importância da função. “Tem muitas urgências para resolver, como os combustíveis. Claro que é importante ter um líder, mas temos vice líderes e aliados que atuam pelo governo”, afirmou. “Além disso, o Alexandre Silveira (PSD-MG) ainda não rejeitou o convite do presidente”, completou. Flávio espera que a definição sobre a liderança seja definida após o feriado de carnaval.

Autor

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.