Lula com o governador Wellignton Dias em Marcolândia (PI). Foto: Ricardo Stuckert

Entrando em março, começam a tomar forma quais serão os palanques que os candidatos à presidência da República poderão contar. A aliança de candidatos a governador é improntante para alavancar localmente as campanhas de abrangência nacional.

Histórico reduto petista, os palanques no Nordeste são amplamente favoráveis a Lula, que, além de ter candidatos a governador em todos os estados nordestinos, conta com a força do lulismo.

Bolsonaro tem palanques em seis dos oito estados na região, porém seus candidatos são menos competitivos em relação aos que apoiam Lula. Quem também possui palanques fortes na região é Ciro Gomes. Porém, isso não tem se refletido em votos para ele entre os nordestinos devido à potência do lulismo no Nordeste.

O lulismo começou a ser estruturado após a crise do mensalão, em 2005. Na oportunidade, o então presidente Lula perdeu o apoio das classes médias. A partir de então, ancorado em programas sociais, em especial o Bolsa Família, operou um realinhamento eleitoral. Sua base social de apoio migrou dos setores de renda média-alta para as chamadas classes populares.

Desde 2006, o PT venceu todas as eleições presidenciais no Nordeste. A região foi a principal responsável pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014. Mesmo nas eleições de 2018, marcadas por um forte sentimento antipetista, Fernando Haddad (PT) venceu Bolsonaro no Nordeste.

Segundo as pesquisas recentes de intenção de voto, Lula tem hoje cerca de 60% dos votos válidos no Nordeste. É nessa região do país que ele aposta para vencer a eleição presidencial, já que no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste os eleitores têm votado contra o PT nas disputas presidenciais desde 2006.

Apoios em cada estado do Nordeste

Em Alagoas, o palanque do ex-presidente Lula (PT) será o do candidato do governador Renan Filho (MDB), que está indefinido. O presidente Jair Bolsonaro (PL) contará com o palanque do representante do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também ainda não foi escolhido. E o senador Rodrigo Cunha (PSDB) deve ser o palanque do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Na Bahia, o candidato de Lula deve ser ou o senador Jaques Wagner (PT) ou o senador Otto Alencar (PSD). Embora Wagner tenha se lançado pré-candidato, está um curso uma negociação que poderá levar o PT a apoiar Otto. O palanque do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) deve ser o do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), cobiçado também pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). E o presidente Jair Bolsonaro (PL) deve contar com o palanque do ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos).

No Ceará, Lula e Ciro devem ter um palanque compartilhado, pois PT e PDT deverão estar coligados. Falta definir o candidato, que será ou o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) ou a vice-governadora Izolda Cela (PDT). O palanque de Bolsonaro será o do deputado federal Capitão Wagner (PROS).

No Maranhão, Lula terá o apoio do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que deve se filiar ao PSB, partido do governador Flávio Dino. Lula também deve contar com o palanque do senador Weverton Rocha (PDT), que ainda apoiará Ciro. Bolsonaro deve ter o palanque do senador Roberto Rocha (Sem partido), caso ele concorra, ou o do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).

Na Paraíba, Lula deve ser apoiado no palanque do ex-prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo (PT). O candidato de Doria será o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB). Ciro deve contar com o palanque da vice-governadora Lígia Feliciano (PDT), caso ela saia candidata.

Em Pernambuco, o palanque de Lula será o do deputado federal Danilo Cabral (PSB). Os demais presidenciáveis estão, por ora, sem palanque, pois os adversários do candidato do PSB ainda não foram indefinidos.

No Piauí, Lula terá o palanque do secretário da Fazenda, Rafael Fonteles (PT), que representa o governo Wellington Dias (PT). E Bolsonaro teve ser apoiado pelo ex-governador Silvio Mendes (PP).

No Rio Grande do Norte, Lula contará com o palanque da governadora Fátima Bezerra (PT). Ciro Gomes pode ter o palanque de Fátima, já que a governadora fez um acordo com o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), que será candidato ao Senado na chapa. Doria terá o palanque do PSDB, que ainda não definiu seu candidato: será o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), ou o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB).

E, em Sergipe, o palanque de Lula deve ser o do senador Rogério Carvalho (PT). Ciro Gomes deve contar com o apoio do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), que deve renunciar ao cargo para se lançar candidato. E Bolsonaro deve ter o palanque do ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (PL), que ainda não definiu se será candidato.