Foto: EBC

O governador de São Paulo (SP), João Doria (PSDB), é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Pela determinação com que Doria vem brigando pela candidatura presidencial, a tendência é que ele tente se eleger presidente da República nas eleições de outubro. Porém, Doria, está pressionado no ninho tucano.

Além da saída do ex-governador de SP Geraldo Alckmin (Sem partido) do PSDB para, muito provavelmente, ser o vice do ex-presidente Lula (PT), tucanos históricos como, por exemplo, o ex-presidente FHC, o senador Tasso Jereissati e o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, já tiveram encontros públicos com Lula. Não bastasse isso, existe a possibilidade do governador do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite (PSDB), migrar para o PSD e ser candidato ao Planalto.

Diante deste cenário, surge o seguinte questionamento: e se Doria desistir da candidatura presidencial? A primeira consequência é que o PSDB estaria admitindo, publicamente, o tamanho de sua crise. Hoje, Doria aparece com cerca de 5% das intenções de voto, índice muito parecido com a votação de Alckmin no primeiro turno de 2018, quando obteve 4,76% dos votos válidos. Aliás, Doria sequer consegue mostrar densidade eleitoral em SP, seu reduto eleitoral. Na pesquisa Ipespe divulgada na última sexta-feira (18), apareceu com apenas 5% no Estado.

Caso João Doria desista de ser candidato, muito provavelmente o PSDB abrirá mão da candidatura própria. Seria a primeira vez que isso aconteceria desde 1989, evidenciando o tamanho do baque que a Operação Lava Jato e o fenômeno do bolsonarismo provocaram no partido.

A segunda consequência é que poderemos ter uma profunda mudança no cenário eleitoral em SP. Hoje, o pré-candidato do PSDB é o vice-governador Rodrigo Garcia. Caso Doria desista do projeto presidencial, poderá ele disputar à reeleição? Se isso ocorrer, teríamos uma nova crise interna no PSDB paulista, pois Garcia está com sua pré-campanha na rua. Porém, Doria controla o diretório paulistano e, caso queira, teria força política para bancar uma candidatura à reeleição, mesmo que isso gerasse um forte atrito na relação com seu vice.

Também existe a possibilidade, por exemplo, de João Doria não disputar nenhum cargo público, o que é improvável neste momento, e seria uma derrota política para o governador, que após vencer as prévias do PSDB poderia ter seu projeto nacional inviabilizado.

Especulações a parte, neste momento, a pré-candidatura de Doria segue no tabuleiro nacional. No entanto, o governador possui uma série de obstáculos pela frente. Hoje, o mais provável é que Doria se desincompatibilize do cargo em 2 de abril e se dedique integralmente a seu projeto nacional.

No entanto, mesmo que João Doria deixe o governo de SP, seu projeto presidencial ainda não estará garantido. Doria precisará ainda ter seu nome referendado pela convenção nacional do PSDB, que ocorre no período de 20 de julho a 5 de agosto. E se até lá seu nome continuar patinando nas pesquisas?

Poderia Doria, mesmo após ter renunciado ao cargo de governador, acabar não sendo candidato a nada? Essa é uma possibilidade que também não deve ser descartada, principalmente se ocorrer uma reconfiguração do chamado centro político a partir da cogitada filiação de Eduardo Leite ao PSD.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".