Lula e Bolsonaro. Imagem: montagem com fotos de Ricardo Stuckert/Instituto Lula e Marcelo Camargo/Agência Brasil

O tempo de TV a que cada candidato terá direito na eleição presidencial dependerá da coligação a ser formada. Espera-se que a propaganda eleitoral gratuita tenha um peso maior nestas eleições do que em 2018, sobretudo porque haverá um rigor maior por parte da Justiça Eleitoral com relação ao uso de mídias sociais.

De acordo com a Lei Eleitoral (Lei nº 9.504/97), 10% do tempo de TV é dividido igualmente entre os candidatos. Já os 90% restantes são divididos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara, considerando-se, no caso de coligação ou federação, o resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integrem.

As simulações a seguir levam em consideração um bloco de 12 minutos e 30 segundos da propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Cenário 1 – Cada um por si

Candidato / Coligação Propaganda de rádio e TV (bloco de 12min30s) Inserções diárias de 30 segundos
Lula (PT) – PSB, SD, PSOL, PCdoB e PV 4min7s 46
Jair Bolsonaro (PL) – PP, PTB e Republicanos 3min35s 40
Rodrigo Pacheco (PSD) 1min11s 13
Simone Tebet (MDB) 1min10s 13
João Doria (PSDB) – Cidadania 53s 10
Ciro Gomes (PDT) – Rede 43s 8
Sergio Moro (Podemos) 29s 5
Felipe d’Ávila (Novo) 23s 4

A partir desse critério, a Arko Advice simulou três cenários para as eleições presidenciais. Em todos eles, o ex-presidente Lula (PT) seria o candidato com maior tempo: 4 minutos e 7 segundos. Para efeito dessa simulação, consideramos que a chapa de apoio ao ex-presidente seria formada por PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB e PV.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) seria o candidato com o segundo maior tempo: 3 minutos e 35 segundos. Para tanto, sua chapa teria que contar com PP, PTB e Republicanos.

Sergio Moro (Podemos), candidato da terceira via mais bem posicionado nas pesquisas, teria apenas 29 segundos, se não conseguir atrair outra legenda para a sua chapa. Sem dúvida alguma, este é um entrave para a sua campanha.

Cenário 2 – MDB coligado com PSDB

Candidato / Coligação Propaganda de rádio e TV (bloco de 12min30s) Inserções diárias de 30 segundos
Lula (PT) – PSB, SD, PSOL, PCdoB e PV 4min7s 46
Jair Bolsonaro (PL) – PP, PTB e Republicanos 3min35s 40
PSDB – MDB e Cidadania 1min53s 21
Rodrigo Pacheco (PSD) 1min11s 13
Ciro Gomes (PDT) – Rede 43s 8
Sergio Moro (Podemos) 29s 5
Felipe d’Ávila (Novo) 23s 4

A segunda simulação leva em consideração uma aliança entre PSDB e MDB. Recentemente, os senadores Tasso Jereissati (CE) e José Aníbal (SP), ambos do PSDB, defenderam uma composição com a senadora Simone Tebet (MDB). Essa coligação, mais o apoio do Cidadania, resultaria em uma coligação com 1 minuto e 53 segundos.

Uma coligação entre PSDB e MDB não é tarefa simples. Reconhecendo o peso estratégico do MDB – que mesmo depois de cair 25,68% em número de prefeituras conquistadas na comparação entre 2016 e 2020, foi o partido que mais elegeu prefeitos na última eleição municipal (784) –, Lula tem se aproximado de lideranças importantes da legenda, como os ex-presidentes do Senado Renan Calheiros e Eunício Oliveira, além do ex-senador Romero Jucá (Roraima).

A candidatura da senadora Simone Tebet, lançada pelo MDB no ano passado, vem apresentando resultados modestos nas pesquisas eleitorais mais recentes. Neste momento, parece ser pouco provável que a tese de candidatura própria no partido prospere. Mas não se pode afastar a possibilidade de a legenda coligar-se com alguma outra no plano federal.

Cenário 3 – União da 3ª via – Doria, Moro e Simone Tebet e Pacheco

Candidato / Coligação Propaganda de rádio e TV (bloco de 12min30s) Inserções diárias de 30 segundos
Lula (PT) – PSB, SD, PSOL, PCdoB e PV 4min7s 46
Jair Bolsonaro (PL) – PP, PTB e Republicanos 3min35s 40
Terceira via unida – PSDB, MDB, PSD, Cidadania e Podemos 3min15s 36
Ciro Gomes (PDT) – Rede 43s 8
Felipe d’Ávila (Novo) 23s 4

A terceira simulação considera a possibilidade de uma ampla união no campo da terceira via. Mesmo que seja muito difícil apontar, neste momento, quem cederia em favor de quem, é possível simular uma coligação apenas considerando uma união dessas legendas. Juntos, PSDB, MDB, PSD, Podemos e Cidadania teriam 3 minutos e 15 segundos. Mesmo assim, não necessariamente a terceira via teria mais tempo de propaganda que Lula e Bolsonaro.

Vale frisar que ainda há muita negociação em curso e que as candidaturas e alianças ainda estão em construção. Ou seja, o quadro pode apresentar mudanças significativas. Além disso, é preciso aguardar o posicionamento do PSL e do DEM, que decidiram formar o União Brasil e ainda não definiram com clareza caminho que seguirão nessas eleições. De qualquer forma, é possível ter uma ideia de como ficará o tempo de propaganda de rádio e TV a partir das simulações acima apresentadas.