O governador do Estado de São Paulo, João Doria, participa de reunião de secretariado, realizado no Palácio dos Bandeirantes. Local: São Paulo/SP Data: 18/01/2019 Foto: Governo do Estado de São Paulo

Apesar de São Paulo (SP) ser reduto marcado por um forte sentimento antipetista, os candidatos da direita que concorrerão ao Palácio dos Bandeirantes nunca se elegeram por eleições diretas desde 1982. Mesmo que nas eleições de 2018, o governador João Doria (PSDB) tenha se associado do bolsonarismo e se beneficiado desse sentimento na eleição em que derrotou o ex-governador Márcio França (PSB), Doria, embora tenha uma postura favorável ao liberalismo econômico, não é um político liberal-conservador.

Nas eleições de 1982, quem se elegeu governador foi Franco Montoro (PMDB). Na época não havia segundo turno. O segundo colocado foi Reynaldo Barros (PDS). E o terceiro colocado foi Jânio Quadros (PTB). Tanto Barros quanto Jânio eram os representantes da direita naquele pleito.

No pleito de 1986, a direita teve dois candidatos – Paulo Maluf (PDS) e Antonio Ermínio de Moraes (PTB). Ermínio de Moraes chegou ao segundo turno, mas perdeu para Orestes Quércia (PMDB).

Em 1990, o candidato da direita foi Paulo Maluf, que chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB). Em 1994, quando começa a ascensão do PSDB em SP, Mário Covas (PSDB) venceu Francisco Rossi (PDT) no segundo turno. A direita não teve candidatura própria. Embora o PFL tenha apoiado Covas.

Nas eleições de 1998, Paulo Maluf (PPB) chegou ao segundo turno contra Mário Covas e foi derrotado por Covas, que se reelegeu governador. No pleito de 2002, Maluf foi novamente candidato, tendo sequer chegado ao segundo turno. O então candidato do PPB ficou em terceiro lugar. O então governador Geraldo Alckmin (PSDB), que assumiu o cargo após o falecimento de Mário Covas, venceu José Genoino (PT) no segundo turno.

Em 2006, a direita não teve candidatura própria. O PFL apoiou José Serra (PSDB) que se reelegeu governador em primeiro turno. O segundo colocado foi Aloizio Mercadante (PT). Nas eleições de 2010, o candidato da direita foi Celso Russomanno (PP), que ficou em terceiro lugar. Geraldo Alckmin se elegeu em primeiro turno. O segundo colocado foi Mercadante.

Em 2014, Alckmin foi reeleito novamente em primeiro turno. Partidos de direita como PRB e DEM o apoiaram. O segundo colocado foi Paulo Skaf (MDB), que teve o apoio de um partido de direita, o PP. E nas eleições de 2018, conforme já mencionado, Doria derrotou França.

Para as eleições deste ano ao Palácio dos Bandeirantes, o candidato da direita será o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que deverá ser filiar ao PL. Tarcísio será o representante do bolsonarismo e tentará quebrar esse ciclo histórico em que a direita nunca elegeu o governador do estado mais importante da federação.

Embora a direita tenha sido importante para as vitórias do PSDB a partir de 1994, os paulistas não tiveram uma liderança política com o mesmo perfil de Adhemar de Barros, Jânio Quadros e Paulo Maluf. Esses três nomes, apenas Adhemar de Barros foi eleito governador pelo voto direto, nas eleições de 1946 e 1962. Maluf também foi governador, mas indicado indiretamente durante o regime militar em 1979, ficando no cargo até 1982.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".