Neste ano existe espaço tanto para uma grande confusão, quanto para um consenso memorável no que diz respeito às trocas anuais dos cargos na mesa diretora das comissões da Câmara de Deputados. Isso porque o número de vagas que cada bloco ou partido tem nas comissões foi definido lá em 2019, e no finalzinho do ano passado houve a aprovação da fusão entre o DEM e o PSL, o que pode tornar o União Brasil, depois de formalizado, o partido com o maior número de cadeiras nas comissões.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJC), por exemplo, que é a comissão mais importante da Câmara, foi presidida em 2021 pela deputada Bia Kicis do PSL que, segundo fontes, passaria o bastão para o Major Vitor Hugo, que deve, porém, migrar do PSL para o PL, acompanhando o Presidente Bolsonaro. O acordo, realizado antes da criação da União Brasil, pode não se manter, pois a vaga da presidência pode ficar com o União Brasil.

Com a fusão e com a possibilidade de que deputados mudem de partido em março, na chamada janela partidária, não se sabe ao certo o tamanho que os partidos terão após esse período. A União alega que vai receber a filiação de parlamentares, mas também é esperada uma migração de deputados descontentes com a fusão.

o PL, atual partido do presidente Bolsonaro, pode sair mais forte por conta da migração de aliados de Bolsonaro que antes estavam em outras siglas.

Face a esse cenário, hoje já existe uma discussão interna no União Brasil para avaliar se vale a pena defender que as eleições para as mesas aconteçam após a janela partidária.

A discussão ainda é incipiente. O que já se sabe é que em função do rearranjo do quadro partidário interno e por se tratar de ano eleitoral, a decisão vai demandar muita negociação.

Confira o texto da coluna que explica o que são as comissões e quais são as suas classificações.

Autor

  • Graduanda em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB). Atualmente atua como Analista Jr. na Arko Advice.