Superintendência da Receita Federal, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O aumento prometido por Bolsonaro para policiais federais colocou a Receita Federal em crise. Auditores e fiscais, insatisfeitos com o tratamento do governo ao órgão no Orçamento de 2022, entregaram pedidos de demissão coletivos esta semana. Segundo o Sindifisco, a falta de solução para acordos salariais relativos ao “bônus de eficiência”, ganho por metas alcançadas nos últimos 5 anos incomoda funcionários-chefes da Receita.

“Essa expectativa não nasceu ao acaso. Surgiu da palavra afiançada pelos ministros Ciro Nogueira e Paulo Guedes e principalmente pelo próprio presidente Jair Bolsonaro”, disse o Sindifisco em nota.

O bônus acordado não foi incluído no Orçamento de 2022. Somado a isso, recursos da Receita serão cortados para satisfazer os reajustes acordados com as carreiras policiais. No total, o orçamento aprovado na terça-feira (21) destinará R$ 1,7 bilhões para a reestruturação de carreiras da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Por causa dos entraves, o Sindifisco Nacional convocou todos os Auditores-Fiscais a uma paralisação imediata de todos os trabalhos e a entrega maciça das funções e cargos de chefia, movimento que já se iniciou e se intensificou com a confirmação das notícias da retirada da Receita Federal do orçamento conforme havia sido acertado.

Na terça-feira (21), Auditores-Fiscais que ocupam cargos de delegados e chefes nas Delegacias da 8ª Região Fiscal entregaram um pedido de exoneração. No texto, citam o corte nos recursos ordinários da Receita para 2022, afirmando que compromete o pagamento de contas básicas, como água e energia elétrica. No Rio de Janeiro, os chefes da 7ª Região Fiscal entregaram um documento coletivo ao superintendente local, pedindo exoneração, em apoio à mobilização da classe.