Em que passo está a reforma administrativa?
(Murillo de Aragão) O Congresso, que mostra visão reformista em algumas ocasiões, tem recaídas sérias em direção ao arcaísmo - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quinta-feira (16/12), o pedido de urgência para a tramitação do projeto de lei que legaliza jogos de azar no Brasil. Foram 293 votos a favor, 138 contra e 11 abstenções. No início da semana, a bancada evangélica havia conseguido adiar a análise do requerimento. 

O PSC e o Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, foram os únicos partidos a orientar voto contrário ao pedido de urgência. Outras siglas do Centrão, como o PP e o PL, se posicionaram a favor. Na esquerda, o PT liberou a votação. A matéria prevê a regulamentação de práticas como bingos, cassinos, caça-níqueis e jogo do bicho no país.

A proposta divide deputados e senadores no Congresso. Procurado pela Arko Advice, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) já declarou que a pauta causa “asco” na bancada. “Não há negociação alguma com a FPE. Esse tema nos causa asco. Somos visceralmente contrários aos jogos de azar”, disse. 

No Senado, Eduardo Girão (Podemos-CE) disse estar preocupado com o projeto. Segundo ele, apesar de os defensores da proposta alegarem que a liberação da prática no Brasil injetará R$ 74 bilhões na economia, estudos feitos em outros países revelam que o que acontece, na verdade, é que a receita e os empregos gerados por outros setores migram para essa atividade.

“O mais grave é que, segundo especialistas da Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Coaf e de órgãos ligados à Receita Federal, a jogatina legalizada é a grande porta para a lavagem de dinheiro sujo da sonegação fiscal, da corrupção, do tráfico de drogas e de armas. Sem falar na prostituição infanto-juvenil”, disse o senador. Girão concluiu dizendo que o vício em jogos de azar pode afetar até 10 milhões de brasileiros, com efeitos cruéis como o aumento dos casos de suicídio e a destruição de famílias.


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