Foto: Divulgação PSDB

A vitória do governador de São Paulo (SP), João Doria (PSDB), nas prévias tucanas, além de alçá-lo a condição de principal líder nacional do partido, fortalece a pré-candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) ao Palácio dos Bandeirantes nas eleições de 2022. Como Doria irá se desincompatibilizar do cargo em abril do próximo ano para concorrer à Presidência da República, Garcia assumirá o governo de SP e concorrerá à reeleição no exercício do cargo.

Mesmo que ainda seja pouco conhecido do eleitorado paulista, tendo o controle da máquina administrativa, ganhará maior visibilidade a partir da entrega de obras do governo, o que tradicionalmente é acelerado em ano eleitoral.

Nas prévias do PSDB, assim como ocorreu em 2016 e 2018, João Doria confirmou sua capacidade de mobilização, tendo vencido a terceira prévia consecutiva – 2016 para prefeito, 2018 para governador e agora para presidente.

A vitória de Doria também marca uma transição política e geracional no PSDB, já que ele é uma liderança distinta dos líderes históricos do partido, o que provocou embates internos entre eles.

Apesar de Doria ter abandonado o discurso antipolítica a campanha de 2016, quando se elegeu prefeito de SP — naquela oportunidade, Doria usava a narrativa que “não era político” — a partir da campanha de 2018, ele tem um perfil totalmente distinto de líderes históricos do PSDB paulista como os ex-governadores Mário Covas, Franco Montoro, José Serra e Geraldo Alckmin.

Aliás, por falar em Alckmin, a vitória de Doria deve provocar, ainda, como efeito colateral, a saída de Alckmin do partido. Juntamente com Geraldo Alckmin, parte de seus aliados – prefeitos e deputados – também podem deixar o PSDB, fragilizando a legenda em SP.

Apesar dessas eventuais fissuras, o resultado das prévias nacionais do PSDB, as vitórias de 2016 (prefeitura da capital paulista) e 2018 (governo de SP) mostram que João Doria detém hoje o controle não apenas do PSDB paulista, como também avança sobre o diretório nacional do partido.

Mesmo contando com a antipatia da cúpula nacional da legenda e tendo poucos diretórios estaduais formalmente o apoiando nas prévias, Doria, através de uma campanha altamente profissionalizada – centrada em instrumentos de marketing político como a contratação de pesquisas quantitativas e qualitativas, trackings e mobilização da militância do PSDB, principalmente em SP, através da máquina partidária e das mídias sociais – e sua grande capacidade de mobilização venceu uma prévia que até duas semanas atrás era considerada como perdida.