O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Paulo Cesar Magalhães Domingues, disse, na semana passada, que o governo estuda destravar a construção de novas hidrelétricas com reservatório formado em rios.

Entre os projetos, está a construção da usina hidrelétrica de São Luís do Tapajós, um dos últimos grandes projetos localizados na região amazônica. Em 2016 a obra teve a licença ambiental negada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sob a justificativa de que o reservatório da usina alagaria o território indígena Munduruku, exigindo a remoção de aldeias.

Não à toa o governo vinha, nos últimos anos, dando preferência à implantação de hidrelétricas sem reservatório, chamadas de usinas “a fio d’água”. São exemplos desse modelo a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia. A vantagem desse modelo é não precisar de grande acúmulo de água, com alagamento de áreas extensas. O menor impacto gerado por tais usinas facilita a aprovação dos projetos por órgãos de proteção ambiental.

Contudo, a ausência de reservatório limita o potencial de produção de energia por essas hidrelétricas. Sem o represamento de água, com a formação de reservatórios, essas usinas não conseguem manter a geração em períodos de seca, como a que o país enfrenta no momento.

Segundo o secretário, as usinas a fio d’água deixariam o país mais suscetível a dificuldades – e à disparada no preço da energia – na época da estiagem, em razão de não oferecerem água armazenada. “O que a gente quer é tentar encontrar meios de não só construir usinas, mas, nos locais em que for possível, construir usinas com reservatórios”, afirmou.

Os esforços se concentram em levar adiante projetos de seis hidrelétricas, em Roraima, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Rondônia, hoje em fase de licenciamento ambiental.


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