Deputado Wolney Queiroz (PDT-PE). Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Com a crise no PDT, o líder da bancada na Câmara dos Deputados, deputado Wolney Queiroz, enviou uma nota aos colegas de partido colocando o cargo à disposição da liderança nacional, em caso de uma avaliação ruim por parte dos colegas. A movimentação é importante já que deputados do PDT anunciam que a mudança do voto no segundo turno está vinculada à orientação a ser definida pelo líder da bancada.

No texto, ele reclama que, apesar de a intenção de voto dos deputados da siglar ter sido divulgada com antecedência, a manifestação da liderança nacional só veio após a votação.

“A imprensa especializada já anunciava que PDT e PSB poderiam votar a favor da PEC. Apesar disso, não recebi do presidente Ciro um telefonema, um e-mail, uma mensagem, um recado. Nada. Rigorosamente nenhuma orientação”, escreveu.

Membros da bancada procurados pela Arko Advice confirmaram a autenticidade da mensagem, mas a classificaram como um desabafo pessoal do líder e disseram que o texto não deveria ter sido vazado.

Eles também relataram que os próprios deputados, tanto os que votaram a favor como aqueles que votaram contra a PEC, pediram que Wolney permaneça no cargo. O partido deve alinhar o discurso em reunião na segunda-feira (8).

Pressão de todos os lados

No primeiro turno, a votação do PDT foi crucial para a aprovação da PEC dos precatórios. Foram 312 votos a favor — quatro a mais do que o necessário. No PDT, dos 24 deputados da bancada, 15 votaram a favor da PEC. Ou seja, sem o PDT, a PEC estaria arquivada.

Abalado pela participação da bancada em um projeto com impacto eleitoral, o ex-ministro Ciro Gomes publicou nota em que coloca em dúvida se vai concorrer à Presidência da República pelo partido.

Na nota, Ciro pressiona que os deputados do partido mudem de posição na votação em segundo turno.

“A mim só me resta um caminho: deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo”, publicou o presidenciável.

Além disso, enquanto boa parte da bancada do PDT votou a favor da PEC, o presidente do partido, Carlos Lupi decidiu judicializar o tema. O cacique questiona no STF a decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) de permitir o voto à distância para deputados em missão oficial.

“O Presidente eleito na Câmara dos Deputados agiu com clarividente motivação política, e consequentemente abuso de autoridade, contrariando à lei e ao interesse público o que não se pode ser tolerado em um estado democrático de direito, sob pena de malferir a ordem constitucional de funcionamento dos poderes da República”, diz a petição.

Além das pressões internas, o próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pressiona o líder do partido, Wolney Queiroz (PE), para que ele não recue do acordo que garantiu o pagamento do Fundef em três parcelas. Lira chegou a cobrar publicamente a fidelidade do PDT ao acordo.

“Eu quero dizer publicamente sobre dois deputados que eu convivo, admiro e respeito, os deputados André Figueiredo e Wolney Queiroz, que são referência de homens sérios e comprometidos. Tudo que esses líderes pediram foram pautas da educação e que beneficiassem os professores. Nós respeitamos os posicionamentos políticos, mas acho que o PDT vai deixar a poeira baixar e os líderes explicarão a quem quiser ouvir”, disse em coletiva.

Por outro lado, Lira nega que os votos do partido sejam essenciais para garantir a aprovação. “Ontem tínhamos mais de 60 deputados ausentes. Isso não vai acontecer na terça-feira (9). O quorum será maior”, defendeu.


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