Foto: Governo de SP/Divulgação

O governador João Doria (PSDB) possui uma baixa avaliação positiva (ótimo/bom) em São Paulo (SP), o que poderá dificultar seu projeto de ser candidato ao Palácio do Planalto em 2022. Mesmo no Estado em que Doria é mais conhecido, a avaliação negativa (ruim/péssimo) de seu governo supera a aprovação (ver tabela abaixo).

AVALIAÇÃO PERCENTUAIS (%)
Ótimo/Bom 24
Regular 38
Ruim/Péssimo 38

*Fonte: Datafolha (13 a 15/09)

Nem mesmo a visibilidade que João Doria teve com a bandeira da vacinação, considerada por aliados do governador como “o novo Plano Real do PSDB” tem sido suficiente para alavancar sua popularidade. Entre os críticos de Doria, a avaliação é que o governador teria exagerado no marketing da vacina.

Além disso, os constantes embates com o presidente Jair Bolsonaro, acabaram desgastando Doria junto ao eleitor mais à direita. Isso sem falar nas rígidas medidas restritivas adotadas pelo governador no início da pandemia, o que gerou forte reação negativa dos empresários, segmento que até então era simpático a Doria.

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A baixa popularidade de João Doria em seu reduto eleitoral poderá aumentar a desconfiança quanto ao seu potencial eleitoral numa disputa presidencial. Quem pode se beneficiar disso no curto prazo é o governador do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite (PSDB), que é o principal adversário de Doria nas prévias do partido marcadas para novembro. Embora não haja pesquisas para medir a avaliação de Leite no RS, o governador gaúcho é um nome menos conhecido e desgastado que Doria.

Segundo a última pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial, divulgada na última sexta-feira (17), João Doria teria hoje 5% das intenções de voto. Eduardo Leite, quando incluído nas simulações como representante do PSDB, aparece com 3%.

Mais do que isso, em SP, Doria tem apenas 7% – no Estado, o ex-presidente Lula (PT) aparece com 35%. O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) tem 27% e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) registra 11%. Eduardo Leite, em SP, teria 5%. Conforme podemos observar, tanto nacionalmente quanto em SP, Doria e Leite tem hoje a mesma densidade eleitoral.

A baixa intenção de voto em João Doria é consequência da baixa popularidade de seu governo. Para efeito da comparação vale mencionar que, quando renunciou ao governo de SP para concorrer ao Palácio do Planalto em 2018, Geraldo Alckmin (PSDB) tinha, segundo o Datafolha realizado em abril daquele ano, 36% de avaliação positiva (ótimo/bom). 40% consideravam seu governo regular. E apenas 22% tinham uma avaliação negativa (ruim/péssimo).

Mesmo com números melhores que o de João Doria, Geraldo Alckmin teve apenas 4,76% dos votos no primeiro turno, praticamente o mesmo percentual que as pesquisas apontam hoje para Doria e também Leite. Em SP, Alckmin fez apenas 9,52% dos votos válidos no primeiro turno, ficando atrás de Jair Bolsonaro (53%), Fernando Haddad (16,42%) e Ciro Gomes (11,35%).

Em relação a sucessão de João Doria em SP, a avaliação positiva de seu governo (24%), tende a ajudar a pré-candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) a chegar ao segundo turno. Porém, Garcia, também terá obstáculos pela frente como, por exemplo, a eventual ida de Alckmin para o PSD para concorrer novamente a governador, dividindo o eleitorado tucano.

Além disso, também há um tabuleiro a pré-candidatura do ex-governador Márcio França (PSB), que em 2018 obteve 48% dos votos válidos no segundo turno. Isso sem falar no ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e em Guilherme Boulos (PSOL) que são nomes competitivos.

Assim, além dos desafios impostos pelo cenário nacional, o PSDB terá importantes obstáculos para manter o controle de SP, estado que comanda desde 1995 e é sua grande vitrine política.


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